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Gay. Post por post.

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Primeira vez em uma boate gay.

15/02/2010

Hoje, 15/02/2010, tomei coragem. Deixei todos os meus medos de lado, e fui. Conheci um carinha na internet, conversamos, tal, e marcamos de ir a um pub voltado ao público LGBT (GLS é modelo de carro). Fui à casa dele e fomos juntos, de moto (detalhe, a última vez que subi numa motoca foi, deixa eu ver, há uns 10 anos atrás, quando ainda era bem criança…). Sei lá. Tava com medo, mas nunca me senti tão bem em cima de uma moto. Aquela história de finalmente você se render aos seus reais desejos, aquela expectativa do que poderia acontecer… o vento fresco de uma noite de domingo.

Tudo era novo para mim. Afinal, em razão do meu sofrível enrustimento, nunca tinha me aventurado a cair na balada, seja ela gay ou hétero. Quanto à primeira, tinha vergonha. Quanto à segunda, não me sentia à vontade, pois não podia ser eu mesmo ali. Mas, sabe qual a verdade? Não me sentia bem pois, além da minha inexperiência, sou muito tímido. E timidez atrapalha qualquer balada. Até na igreja (não ia tomar a hóstia pois tinha vergonha dos fiéis… mentira, é que não fiz catequese, mesmo!).

Então, chegamos ao pub. O local era muito legal (não tanto quanto a foto colocada lá em cima). Na frente, alguns rapazes. E um segurança grandão, sentado à porta. Fiquei surpreso com a diversidade de pessoas ali: caras fortões, caras skatistas, “manos”, caras normais, mulheres, casais héteros, casais gays, meu colega… e eu, um alienígena com cara de bunda, sem saber o que fazer. Pensei que só haveria aqueles bofes musculosos de camiseta agarrada e os carinhas bem alegrinhos, em grupinhos, botando a conversa ainda mais em dia. Mas não. Além dessas adoráveis figuras (não estou sendo irônico), havia gente que, se eu as visse em outra circunstância, nunca imaginaria que fossem gays.

Ficamos ali, batendo um papo custoso para deslanchar, esperando os amigos dele chegarem. Como estavam demorando, resolvemos entrar.

Apresentei o RG, peguei a fichinha e a guardei como se fosse meu último pedaço de barra de cereal numa ilha de sobreviventes de um vôo da Gol (em caso de perda, eu teria de pagar R$ 200,00). Subi as escadas e, finalmente, estava lá, dentro de um pub LGBT.

Sentamos numa mesa e conversamos. Percebi que um grupinho ficava encarando, e depois cochichando… eram conhecidos do meu colega. “Ué, já tá com outro?” – disse um deles, à ele. Tudo foi explicado, claro…

E eu ali, sentado, assistindo compulsivamente a TV de plasma, onde passava clipes da Britney Spears, para ocupar os olhos e não ficar como um autista. E aquela falta de papo… eita timidez! Vez ou outra, eu puxava um assunto, depois ele puxava, mas a conversa não fluía. Uns punhados de palavras e o silêncio novamente.

Até que o ficante desse meu amigo chegou. E, ainda por cima, estava junto com aqueles caras que ficaram nos encarando. Resultado: conversa vai, conversa vem, e acabei arrastado para aquela mesa…

Cumprimentei-os discretamente, e fui para o bar pegar um guaraná. Voltei, sentei, e fiquei, mudo como uma muda. Não sabia o que fazer. Não sabia o que falar, o que olhar, o que mexer… só bebia o guaraná, até que ele acabou. Não aguentei, fui pro bar de novo, resoluto a ficar por lá. E pedi cerveja.

Bebi uns goles e sentei na banqueta. Olhei o movimento. Todos dançando. Alguns se agarrando. Outros conversando. Resolvi levantar e dancei como um bonecão de Olinda. Dançar nunca foi o meu forte.

Até que gostei. Ali, pela primeira vez, pude ser autêntico, sem remorsos, sem preocupações. Embora bem brega, aquele ali era eu mesmo, sem disfarçes, sem simulações, sem o medo de dar pinta.

E eu olhava os rapazes conseguindo seus pares… como é que esses terráqueos conseguem? Ah, se pelo menos eu fosse gostoso que nem o Kyle XY…

Fui pro banheiro. A cerveja deu efeito. O ambiente é totalmente normal… pias, torneiras, mictórios e privadas. Mas pude ver dois rapazes entrando juntos no reservadinho do número dois… “que sorte a deles!”

Meu colega resolveu ir embora. Não fui embora junto, pois não queria segurar um candelabro para ele e o seu ficante. Permaneci no pub por mais uma hora.

Sentado novamente no bar, tive vontade de dançar. Mas ali, sozinho, sem conhecer ninguém, não tive coragem. Apenas observei. Pedi outra cerveja (o barman era tão bonito!) e me deixei ficar lá. Minha cabeça tava tão confusa que eu nem sei se alguém estava ou não dando mole. Apenas sentei e bebi.

Resolvi que era hora de me retirar. Peguei o celular para chamar um táxi. “Bateria Fraca”. Putz!

Fui pagar a conta. Pedi para que chamassem um táxi para mim. Me deram um cartão. Disse que não podia ligar, pois meu celulixo havia me abandonado. Perguntei se podia usar o telefone do caixa. “Esse telefone não faz ligações”, disse um dos caixas. Desci um pouco as escadas e tentei reavivar o meu tijolinho. Necas. Voltei. E pedi para o outro caixa, mais simpático. Prontamente, ele me deu o telefone. Puxa vida! É tão simples! E olha que o táxi era 0800…

Mas o barulho era tanto que não dava para ouvir nada do outro lado da linha. Desci mais as escadas. Atenderam. “Qual o endereço, senhor?” – falou a atendente. Não sabia. Fui à saída e perguntei ao segurança. “Aqui é a rua tal mas, o que você quer?” Respondi que queria um táxi. “Olha lá, do outro lado da rua…” E olhei. Tinha um táxi ali. Aff…

Subi correndo e devolvi o telefone. Agradeci e sorri ao atendente simpático. Nem olhei para o chato. Desci correndo. E pimba! Bati com a cabeça no teto…

Entreguei o recibo de quitação do bar ao segurança salvador da pátria, entrei no táxi e fui pra casa.

Depois disso tudo, sinto que a noite valeu a pena. Conheci um lugar desconhecido. Não conheci gente desconhecida. Não paquerei. Não beijei. Bebi, dancei mal, bati a cabeça. Mas adorei. Era eu. Finalmente. Eu. Sem nada a esconder.

Se você ainda está com receio de ir, larga de ser besta. Se eu sobrevivi, e gostei, você, com certeza, se sairá bem. Só não esqueça de carregar a bateria do seu celular. Se você for alto, como eu, desça as escadas devagar.

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Enfim consegui ler todos os posts. Claro que não pude ler o blog ininterruptamente, mas ler o blog e conhecer um pouco de você e do que já viveu, conhecendo o presente e voltando gradativamente ao passado foi bem excitante, uma verdadeira aventura. Muitas vezes me identifiquei com seus relatos, outras tantas senti vontade de te puxar a orelha(desculpa por já me sentir intimo).
Estarei esperando suas próximas postagens, até lá.
;P

Magno

01/12/2011

Olá, SG! Estou lendo o seu blog queria chegar até onde vc começou. Pensei que seria pequeno. Assim fui lendo um a um, mas o final não chegava. Sinto eu mesmo escrevendo muitos (mas muitos mesmos) dos textos. Bom saber também que ainda existe pessoas como você: Japa, inteligente, bom gosto, tímido, gay (assim como eu, hihi). Fiquei tão feliz de saber que você veio para Campo Grande…
Vou dar uma repassada no blog de novo, mas dessa vez de trás para frente.
Se um dia vc ler este post, saiba que é uma pessoa que estou curiosa para conhecer!
Até um próximo comentário!

Flavio Matsubara

24/08/2012