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Ao gosto da vida

05/06/2010

Fiz o texto a seguir no dia 31 de agosto de 2008. Estava muito triste. Uma sensação horrível deslizava por dentro. E foi isso que acabou saindo:

Ao gosto da vida

A (des)crença popular nos diz que “agosto é o mês do desgosto”.  E, tristemente, tenho que concordar. Hoje é o último dia desse mês infame. É o último suspiro exalado por pulmões ofegantes. É o fim de um túnel de 31 dias de comprimento. Felizmente.

O mês começou com expectativas. Idéias projetadas, planejadas, desejadas.  Mas é agosto. E, fazendo jus à infâmia, as idéias, antes projetadas, planejadas e desejadas, transformaram-se em escuros pontos no campo do palpável. Em outras palavras: não aconteceram. Não vingaram. Foram para o beleléu.

Não quero aqui descrever em minúcias essas idéias que acabaram se esfarelando. Não vêm ao caso. Mas sobre um fato, uma mácula, um câncer que vem se arrastando por muitos agostos e afins, tenho de falar, forçosamente: as lembranças do passado que insistem em dar as caras.

E o passado condena a uma pena perpétua. Todos os dissabores saboreados fazem questão de marcar presença na minha língua. Falam que a parte da frente sente o azedo, a dos lados, o doce, a do meio, o salgado, e a dos fundos, o amargo. Acho que, nos Agostos, minha língua só tem as partes da frente e a dos fundos.

Dia após dia, é a mesma coisa, são os mesmos desgostos. Em agosto, para variar, é pior. Claro, mês de desgosto. Baixa auto estima, alto nível de cólera, vontade de vingança, postura rebelde. Assumo tudo isso, sem baixar, nunca, minha cabeça e meu orgulho. Mas tenho, ainda, que admitir: essa áspera relação já está ficando monótona. A saliva já secara. Minha língua já está relando no sinteco.

Fim de agosto. Ufa! Daqui à uma hora, é setembro. Sete de setembro, feriado nacional, dia da independência do Brasil. O passado condena, é! A independência foi uma farsa, nunca fomos tão ligados a Portugal quanto após 1822. E logo vislumbro quão luminoso será o meu mês de setembro…

Mas a esperança persevera. “Sempre haverá um amanhã”. E amanhã é o início de um novo mês, de um novo sabor. Nossa mãe dizia: coma o jiló, senão não tem sobremesa. Eu digo: devore Agosto, senão não tem Setembro.

Seja bem vindo, setembro. Volte sempre, agosto.

Até a próxima.

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