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Gay. Post por post.

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Patinho feio

07/06/2010

Como se não bastasse o preconceito vivido pelos gays, perante a sociedade como um todo, há o preconceito dentro da, digamos assim, “comunidade” gay. Digo “comunidade” porque muitos homossexuais não se vêem encaixados nela, ou pelo menos, não têm afinidade com seus ideários e atitudes. Porque, além dos caras fortões e das “bichas” de purpurina, há gente… comum.

Nos portais de relacionamentos gays, percebe-se, em relevante parte dos perfis, que não há a aceitação de gays afeminados. Já se coloca um filtro bloqueador, não permitindo que o futuro pretendente mostre suas outras e variadas virtudes, inclusive o seu modo de ser, afeminado, ou não. É certo que gosto pessoal não se discute. Mas isso é apenas uma amostra do que por debaixo da linha d’água se insere.

Também já presenciei olhares e comentários de desprezo e chacota de homossexuais “machos”, para aqueles mais extravagantes, espalhafatosos ou cintilantes. Essa manifestação brilhante pode até ser engraçada, mas, muito mais que isso, é graciosa. Diferente. Legal! Viva à diversidade gay!

Negar, de antemão, pré-conceitualmente, conhecer outra pessoa, não é uma atitude muito inteligente. Temos de considerar que não se está conhecendo um ser esquisito fora dos padrões: está se conhecendo uma pessoa, como outra qualquer. Com a sua individualidade. Com suas qualidades. Não é impossível que aquela pessoa, com jeito não muito masculino, seja o amor da sua vida.

Afinal, para o amor, não há regras, padrões, vergonha ou lisura. O amor simplesmente acontece. Desabrocha. Impedir que sentimento tão nobre ocorra, por causa de um aspecto físico-psicológico inerente de outrem, é cruel. Qual ser vivente gostaria de ser rejeitado, por algo que não pode mudar?

E isso vale para tantos outros casos: gordos, magros, fortes, fracos, carecas, cabeludos, aidéticos… eu reconheço que é direito de todos preferir certas pessoas a outras, mas ficar pregando e opondo as preferências, a ponto de diminuir a auto-estima dos rejeitados é deveras sofrível. Ter preferências é algo mais que legítimo, mas menosprezar e tirar sarro de tipos que não se encaixam nessa preferência, é, no mínimo, ridículo.

Devemos olhar a todos como pessoas, titulares de dignidade e de tantos direitos e deveres quanto qualquer um. Devemos colocar lentes de amor, de compaixão, de solidariedade e de respeito, e nunca, mas nunca, devemos julgar alguém, só pelas aparências ou pelas discrepâncias. Aceitar reside no íntimo pessoal. Você é quem decide. Respeitar, por sua vez, é algo obrigatório, impassível de renúncia, numa sociedade que se reputa humanizada e civilizada.

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