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Prostituição Masculina

28/07/2010 , , ,

No Profissão Repórter de ontem, 27 de julho, o tema em pauta foi a “prostituição masculina”. E semanas atrás, o mesmo tema foi abordado pelo programa “A Liga”, da TV Bandeirantes. E desde então, tenho ficado mortificado por tudo o que vi. Não por causa de ingenuidade ou ignorância. Mas por saber que essas situações realmente acontecem, cotidianamente, sem a gente sequer notar a olhos nus.

Vários fatores acarretam a necessidade de alguns e de algumas por recorrer a michês, boys, garotos de programa, acompanhantes, scorts: crises de relacionamento, homossexualidade enrustida, bissexualidade, diversão, vício… as razões são diversas, mas a solução é unânime: sexo pago e fácil. E muitos são os motivos pelos quais jovens se submetem a esse ofício de satisfazer a libido alheia: necessidade financeira, comodidade financeira, diversão, vício…

Não tenho, absolutamente, condão de julgar ninguém. Cada um sabe da terra em que pisa, e do céu que recai-lhe nos ombros. Não vislumbro, à primeira vista, problema moral nenhum para aquele que escolhe levar uma vida de garoto de programa. Digo isso não por achar que essa profissão seja louvável e honrada, mas porque todo indivíduo tem o direito de fazer da sua vida o que bem entender. Agora, e é aqui que começa a segunda vista, essa escolha não tem o condão de prejudicar outros, muito menos a si próprios.

Na reportagem de ontem, um prostituto aceitou dizer algumas palavras. Disse que era casado, e que tinha um filho de 10 anos de idade. A esposa não faz ideia sobre sua ocupação noturna. “Eu digo que faço um bico em segurança. Chego em casa com o dinheiro na mão e está tudo bem” – revela, orgulhoso. Isso é repugnante. Por quê? Porque há duas pessoas sendo enganadas e colocadas em risco: a esposa e o filho. Ela pode contrair uma doença grave (HPV ou AIDS, por exemplo), e o filho, pode ver sua família totalmente destroçada, caso o contágio um dia aconteça. É óbvio que ambos se beneficiam do provento trazido das ruas, e isso é até algo indispensável, por um momento. Mas toda essa ideia de colocação em risco por vias obscuras, não me entra no estômago para ser digerida. Não desce.

E ainda há o lado moral: isso não é um caso de traição? Fazer coisas pelas costas da companheira? Muitos dizem que prostituir-se não é traição, pois não há sentimento algum entre servidor e consumidor. Mas quem disse que para trair tem que trair com amor ou paixão? Basta mentir. E fazer. Coloque-se no lugar da esposa. Em casa, após um dia inteiro cuidando dos afazeres domésticos, ou então, após um dia inteiro de trabalho na empresa, vê o marido saindo à noite, crendo ele estar indo trabalhar como segurança. E então, em certo dia, ela descobre que ele, na verdade, estava saindo para transar com vários homens e mulheres, em troca de dinheiro. Por mais afetuoso e caridoso que fosse o marido, uma mentira dessas é de perdão complexo. Muito complexo.

A mentira. Essa é a coisa que me faz passar mal. Porque a mentira pressupõe ocultação. E ocultação pressupõe falta de cumplicidade. Valores que são pressupostos do verdadeiro e puro sentimento amoroso, que daí se compõem tantos outros que tanto nos fazem bem: carinho, afeto e respeito VERDADEIROS, muito mais que aparentes. Se a esposa, mesmo sabendo, aceitar a prostituição do esposo, e se este, consciente do que faz, toma todas as precauções laborais, isto é, fazer sexo com o uso correto do preservativo, não vejo problema algum. Tudo está transparente. Ninguém está sendo prejudicado.

Uma coisa é necessária: precaução. Do mesmo modo que o motorista de ônibus usa cinto de segurança, o médico usa luvas, o policial usa colete a prova de balas e o pedreiro usa capacete, o garoto de programa tem de usar camisinha. E muito, porque, ao contrário dos outros trabalhadores, o boy não tem a Justiça do Trabalho a seu lado, muito menos a Previdência Social.

Não acredito que a prostituição irá acabar um dia. Problemas financeiros, crises conjugais, carência, libidinagem, necessidade por diversão e livre arbítrio sempre existirão, pois são fenômenos intrínsecos do ser humano. Por isso, independentemente da opinião dos outros (na qual incluo a minha), de achar esse ofício desonroso, que ele seja feito com responsabilidade. Que seja encarado, de fato, como um trabalho como qualquer outro, isto é, que exija condutas preventivas. Constitucionalmente, tenho o direito de ter minha própria opinião e o direito à dignidade, e é em função deles que digo: repudio a prostituição e a mentira. Mas, como todo mundo tem esses mesmos direitos, digo também que tenho profundo respeito àqueles que optam por prostituir-se (com responsabilidade). Daqueles que não têm juízo, só posso esperar que nunca lhes aconteçam nada de mal, e que, por Deus, não prejudiquem ninguém.

Não é que acredito menos no amor. Apenas confio menos nos homens.

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