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Tapiocas, Absorventes e Honestidade.

10/10/2010 , , , ,

Por mais que eu sinta sono, sempre acordo meio cedo aos domingos. E só aos domingos. Mas isso não é um problema fisiológico, não. É cronológico, mesmo. Porque acordar às 09 horas num domingo é cedo demais. 09 horas numa segunda, é tarde demais.

E então, acordei cedo, e, como em todo domingo, não tinha nada pra fazer. Aí, senti uma vontade de comer tapioca. Achei o que fazer rápido assim. Dei uma calibrada nos pneus da bicicleta, catei a mochila e fui para uma feira dominical, na Mauá. Enquanto me preparava para sair, perguntei ao pessoal de casa se eles queriam também.

“Ok, gente. Quatro de queijo e manteiga de garrafa”.

“Ah, SG, quero também um pacote de absorventes, pra tua irmã”.

Minha mãe e seu pedido extra. Um pacote de absorventes. Para minha irmã. Que, há pouco, nem sabia falar. Que há pouco, brincava de Barbie e Polly. Que há pouco, era fã do RBD.

E eu, indo comprar um pacote de absorventes para ela.

“Oi, bom dia! Quero quatro tapiocas de queijo com manteiga, e um de absorventes, digo, de doce de leite”.

Mentira. Não me enganei no recheio assim.

“É pra levar?”

Pensei, malvadamente: “Não. Vou comer as cinco tapiocas aqui mesmo. Peguei a doce como sobremesa”.

“Sim, sim. É pra levar.”

Preparadas as delícias mandiocais caprichosamente recheadas, hora do pagamento. Percebi que o troco era maior do que o devido.

“Senhor, acho que você me deu a mais… deu R$ 12,50, e eu tinha dado R$ 20,00”.

Devolvi R$ 10,00. O senhor agradeceu, com um sorriso enorme. E os outros clientes, me olharam surpresos. E isso me deixou incomodado. Por que alguém se surpreenderia com algo assim? Com o fato de alguém devolver aquilo que não é seu?

É óbvio. Ali percebi, não querendo ser convencido, que atos de honestidade espontânea são raros de ocorrer. E, quando ocorrem, assim, naturalmente, as pessoas ficam… espantadas. E até podem tirar sarro. “Que trouxa! Deveria ter ficado com os 10 contos!” Coisa feia essa.

Porque se você perguntar se o cara teria coragem de furtar, certamente, ele diria que jamais. Mas, se ele tivesse a oportunidade de poder ganhar um na moleza, como, por exemplo, recebendo troco a mais por um equívoco de outrem, certamente não faria nada para reverter o equívoco. A ocasião faz o ladrão.

E assim, as pessoas furam fila no banco, sonegam cifras no imposto de renda, elegem Tiririca como deputado…

Fui à farmácia. Parei defronte a uma parede inteira de absorventes. Sempre Livre, Always, Intimus, Carefree, Tampax… com abas, sem abas, ultra, super, perfumada, teen… pedi ajuda ao moço.

“Hum… é melhor você perguntar pra ela… não sei te responder…”

Perguntei se havia algum que fosse melhor para uma menina de 11 anos. Isso mesmo. 11 anos.

“Olha, tem aquele “teên” (sic) da Intimus que é boa”.

Logo presumi que ela quis dizer “tíin”. Peguei, pois, o tal do Intimus Teen.

Estava saindo quando a senhora gritou:

“Moço! Você está esquecendo isso!”

Tinha deixado meu iPod sobre o balcão do caixa.

“Vixe. Brigado. Ando meio esquecido, ultimamente…”

Dois sorrisos.

É. Na verdade, honestidade não é tão rara assim. É só cultivá-la, para atraí-la.

E a tapioca estava deliciosa. Honestamente deliciosa.

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Aconteceu comigo esse ano por causa de uns problemas financeiros com a minha universidade… No fim das contas eles iriam me creditar duas mensalidades que não saíram do bolso dos meus pais. Sei que acabei de me formar e dinheiro não é tão fácil de ganhar assim, mas não me sentiria bem com algo que não é meu. Sorte que consegui cancelar a tempo o pedido de reembolso.

Tar

10/10/2010

arrasou. tambem sou desses. posso encontrar dinheiro no chao, e nao pego. e quando encontro algum objeto perdido, fico nervoso tentando achar o dono, porque sei que se deixar ele lá vem outra pessoa e pega pra si. nao é louco?

é que eu sei o quanto odeio perder coisas.

[j]

Joe

11/10/2010