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Gay. Post por post.

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Vou ali, chorar um pouco. Mas volto logo.

11/10/2010

Estou num ponto em que desejo desistir de tudo. Uma infelicidade oculta se arrasta através dos anos, e eu, num esforço diário para não sucumbir à quebra da casca, que a esconde.

Acordo sempre do mesmo jeito. Cansado. Não consigo mentalizar algum propósito; um descrédito nas pessoas me ocorre à cabeça; uma solidão destacada; um início de um procedimento de ignição, que culmina em um processo automático e embalado pelo mínimo e desmotivado movimento inicial. Uma caminhada em círculos, cada vez mais vagarosa.

Um desespero e um sentimento de culpa, por deixar de cumprir com minhas obrigações, ao mesmo tempo necessárias e opressoras. Um sentimento horrível de não atender às altas expectativas feitas a meu respeito. Uma aflição em ter de dizer que tudo está bem e progredindo. Uma decepção em ver que nada produz frutos suculentos.

Recorro a inúmeros artifícios analgésicos: ouço música, leio, escrevo, pratico exercícios físicos ao ar livre, viajo, passeio, saio à noite. E, como todo analgésico, o efeito não é perpétuo. Mais ligeiro do que desejaria, retorno às dores incessantes. Entre um comprimido de ânimo e outro, consigo ver humor e beleza nas coisas. Mas, quando volta o desânimo, o humor torna-se ironia. E a beleza, em insulto.

A ferida não cicatriza. O sangramento não coagula. Há dias em que aumenta. Noutros, fica menos intragável. Consigo continuar vagando, mas as lesões não revelam prumo algum. Algo me falta. Preciso de um princípio ativo do qual desconheço, apenas desconfio. Nessa desconfiança, aliás, é que fundamento a decisão de não ir à procura da cura.

A desconfiança, na verdade, é medo. O temor de adotar caminhos totalmente diferentes, de abrir mão das coisas até aqui conquistadas, para iniciar uma outra jornada. Temor também da opinião alheia, que tão relevantes se apresentam. As coisas ganham tamanhos delirantes e impossíveis de serem manejadas com racionalidade. Todo o tempo até aqui por mim utilizado, se mostra em evidência, numa espécie de recibo impresso em tinta indelével, cobrando medidas e demonstrando saldos negativos.

O que me corrói é a tristeza. A ferida diabética ultrapassa qualquer tentativa hermenêutica. E eu, utilizando palavreado garboso, para descrever algo que não merece tão polido e arrogante tratamento. Eu é que preciso de tratamento. Preciso tratar de me tratar. Colocar a cabeça no seu devido lugar: em cima do pescoço, em posição altiva.

Perdão pelo desabafo. Perdão pela sucumbência. Pela vulnerabilidade. Pela retórica. Apenas não estou bem. Vou ali, escutar um pouco de música.

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comments

Muito bom seu blog, achei ele recentemente e fui fisgado. Falo (teclo) de goiás. Vc poderia fazer um e-mail para se comunicar com seu leitores. Perguntas: para que país seus pais foram durante um ano? vc é descendente de japoneses? Como vc viaja muito:não ta pensando em vir pra goias não? Qual estado do centro-oeste vc morou por um tempo?

garoto do interior

11/10/2010

Vou pensar sobre o seu pedido com carinho. Em breve, faço um e-mail para poder me comunicar melhor com os leitores do blog.

Brigadão por ter gostado.

Um abraço!

SG

11/10/2010

Não sei nem o que dizer. Pensei que já estivesse melhorando… mas é normal aumentarmos tudo isso quando estamos assim. Além do mais não sabemos o que aconteceu aí. Quando achar um tempo vamos conversar! Bjos

Tar

11/10/2010

Pois então, Tar. Essas coisas aparecem, de fato, do nada. E são avassaladoras.

Preciso de (mais) um tempinho pra pensar. Ir a São Paulo não foi suficientemente isolador pra isso…

Um beijo.

SG

11/10/2010

O conselho que posso te dar, é para se desfazer das expectativas. Absolutamente tudo que nos faz sentir menos é pra baixo advém da imagem que criam ou criamos de nós ou de onde temos que chegar, enquanto tudo é uma questão onde o nosso controle é mínimo, e qualquer lugar em que chegarmos tem seu significado.

Deixe-se levar pela corrente, e esqueça o que os outros tem a dizer sobre isso…

Um beijo

Lobo

11/10/2010

Concordo com o lobo.

Tar

11/10/2010

Brigadão pelas palavras, Lobo.

Um beijo.

SG

11/10/2010

melhoras! e sem essa de pedir perdao, vc tá no seu direito, todo mundo ja ficou/fica triste, tua vez é tao importante quanto.
se cuida.

[j]

Joe

11/10/2010

Valeu, Joe!

Abração!

SG

11/10/2010

Nem sempre é fácil encontrar sentidos… …a gente pode começar por ver onde estão nossas insatisfações, que coisas mais nos energizam, o que nos dá prazer. Fugir dos analgésicos é uma. Paliativos não têm efeitos duradouros. Respirar fundo, e encarar um espelho é sempre meio doloroso, mas a gente nunca sai da frente de um deles sem perceber algo a mais de nossa imagem.

Fique bem!

Arthur

Arthur

11/10/2010

Obrigado pela dica, Arthur.

Vou me olhar no espelho. Quando o estoque de Tylenol e Cataflam acabar… (e isso ocorrerá em breve)

Um abraço!

SG

11/10/2010

Às vezes dar um tempo pra si é bom.

Sem dizer nem falar nada pra algo ou pra alguém. Nem pra si.

Ficar só quetinho num canto, com pensamento vazio.

Quanto mais a gente pensa na dor, mais dói. Quanto mais a gente pensa em como curar a dor, mais dói. De repente tá na hora de você classificar isso como um outro sentimento?

Beijos

Gui

11/10/2010

Obrigado, Gui. Vai ser um exercício e tanto, perceber este novo sentimento. Mas vou me esforçar.

Beijo!

SG

11/10/2010

Oie, eu posso dizer uma coisa? A gente só aprende de fato a ser feliz quando deixa de criar expectativas de ser perfeito e buscar a perfeição nas pessoas porque isso simplesmente não existe. Não queira agradar a tudo e a todos, mas a si mesmo. Ninguém tem obrigação de sorrir 24 horas por dia, nem você, nem eu, nem ninguém. Sabe o que faço quando estou triste? Rezo, choro e peço a Deus proteção e luz. Coragem e fé, ás vezes procuramos no externo a resposta para nossas ansiedades quando na verdade a resposta está bem dentro da gente. Forte abraço.

edilson

11/10/2010