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Gay. Post por post.

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Saindo do armário (e vivendo fora dele).

23/10/2010 , , , , , , , ,

Este post foi originariamente publicado em 31 de maio de 2010. Mas resolvi atualizá-lo hoje.

Não aguentava mais esconder minhas roupas “arco-íris” dentro do guarda-roupas. Certo dia, algo me acendeu as ideias, e resolvi sair de casa, vestindo tais roupas.

Claro que isso é apenas uma metáfora. Não divulguei para todo mundo que eu era gay. Contei apenas para uma amiga muito próxima. Foi assim: escrevi um bilhete, dizendo “Tenho algo para te contar. Eu sou gay”. Na volta da faculdade, a certa altura do caminho para casa, ao nos despedirmos, lhe entreguei o pedaço de papel. “Leia em casa”.

No dia seguinte, fui apreensivo à faculdade. Qual seria a reação dela? No intervalo, fui conversar com minha amiga. Ela me olhou com aquele olhar de “que coisa, hein?” Mas, logo após, ela abriu um sorriso, e saímos para conversar.

Depois, combinei de sairmos numa sexta à noite. Fomos a um restaurante de comida mexicana. Bebi uma dose de tequila. E contei para a minha outra amiga: “Então, lembra daquele dia que eu disse que, se fôssemos para uma balada, eu não iria me divertir? Então… é porque eu nunca ficaria com ninguém na festa…” No caso, eu me referia a uma balada, digamos assim, tipicamente hétero.

Aí eu soltei a língua, disse tudo e mais um pouco. Ouvi também as histórias delas. Percebi que, tanto héteros e homos, possuem causos e mais causos.

Não tive que contar aos meus pais sobre a minha homossexualidade, pois eles já se deram ao trabalho de descobrí-la. Na época, eu não sabia como apagar o histórico do Internet Explorer…

No início, foi um tormento. Me sentia sujo, culpado, e até prometi, pros meus pais e pra mim mesmo, que iria mudar, que iria começar a gostar de garotas. Mas foram promessas impossíveis. Não dá para escolher ou resolver uma coisa dessas, tal qual não dá para transformar alface em chocolate.

Meus pais, de certo modo, adotaram aquela política do “Don’t Ask, Don’t Tell”. Eles não quiseram tocar nem vivenciar quaisquer assuntos correlatos à minha homossexualidade, embora já tivessem plena ciência disso. Eles deixaram bem claro que não aceitam tal “sem-vergonhice”. Eu ainda respeito essa posição, e procuro sempre ser muito reservado. Acho que por isso que nunca tenhamos nenhuma conversa mais afetuosa, mais séria, mais profunda. Criamos uma relação pragmática, distante, prática, em que somente as palavras necessárias para o mínimo convívio são utilizadas.

Mas, às vezes, o negócio esquenta. E aí, tenho que aguentar a ignorância, o preconceito e a humilhação. E revido com reações nada amistosas. Incontáveis são as brigas. No entanto, após alguns dias, os ânimos se acalmam, e a política do “Don’t Ask, Don’t Tell” retorna. E, desse jeito, a vida vai andando, mornamente, em fogo brando. Eventualmente, ela ferve e transborda.

Eu realmente gostaria que meus pais me aceitassem de verdade, como realmente sou. Mas, como isso não é possível (do mesmo modo que eu não posso mudar, eles também não podem), a melhor coisa a ser feita é a adaptação. Mesmo que essa adaptação consista em distância, pragmatismo e frieza, de ambas as partes.

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comments

Seus pais sabem q vc ja namorou? Outra coisa, lendo seus posts sobre se mudar ou não da sua cidade, eu achei o nome dela em algum comentário (se chama maringá, né)e digitei e fui ver como era: é uma cidade do interior mais com uma população grande (mais de 300.000 habitantes), isso se ja sabe mas eu nao, vi tbm q é uma das mais arborizadas do país e lembrei q vc adora a natureza, eu acho q vc deve continuar morando ai pq casa com seu estilo de vida (esportista, natureza, etc), porem não sei como é a aceitação da população LGBT ai. Como e uma cidade bem mais grande q a minha (a minha tem quase 100.000 habitantes), e wipediando ela eu acho q vc consegue um bom trabalho por ai. E sobre o e-mail pro blog, ja pensou ou ainda nao?

eueomundo

23/10/2010

Olá, “eueomundo”.

O blog já tem um e-mail. Só clicar no link no topo da página.

Também acho que Maringá é uma excelente cidade. Mas o futuro, só ao futuro pertence, né?

Abraço!

SG

23/10/2010

Só toma o cuidado de nao se limitar demais, SG. Enquanto depende deles, você respeita a posição de ‘não aceitar’ deles, mas muito cuidado pra isso nao diminuir voce.
No começo, minha mae achava que ia me curar apelando pra jesus, eu me senti mal no começo, quando estava em casa ou com ela eu tentava anular a minha verdade, evitando ao maximo que o assunto surgisse à tona. Aos poucos fui percebendo que isso so piorava, pq dava razao pra ela agir desse jeito, era basicamente eu corroborando com o comportamente dela. Hoje eu faço o que eu quero, eu nao falo pra ela dos meus rolos, sequer comento de homem pra ela, mas vivo minha vida e nao deixo mais o climao dentro de casa interferir na forma como eu vivo minha vida. Se eu saio a noite, eu falo pra ela “Vou pruma festa na boate”, e ela provavelmente imagina que seja uma boate gay, mas eu nao tenho que dizer nada disso pra ela, apenas dar satisfação daonde vou, e se volto pra casa ou nao.
Vive sua vida se preocupando mais em nao ferir a pessoa que vc é do que em nao desapontar seus pais, pq afinal voce tambem merece respeito. Se eles nao vao te dar o respeito por eles mesmos, vai voce e começa a tomar esse respeito pra si.
É só o que eu acho, logico que nao conheço sua realidade além do que eu li neste post. Ok?
abraço. boa semana!

[j]

Joe

24/10/2010

Oi Joe!

Brigadão pelas palavras. Começarei a semana muito melhor, agora.

E vou caminhando. Antes devagar, do que parado, né?

Abração!

SG

24/10/2010

Exato.
Garoto esperto. That’s my boy.

[j]

Joe

26/10/2010