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Sucumbi.

27/11/2010 , , ,

Ontem, o estresse me pegou de vez.

E deu que me deu um surto de cólera, ontem à noite.

Estava abrindo o computador, enquanto meus pais discutiam uma picuinha: o fato de se comer na sala de estar.

“Fulana, eu já disse que não é pra comer na sala! Puta que pariu!”

“Mas, Fulano, eu estou tomando cuidado para não cair nada…”

[Detalhe: meus pais tratam um com o outro sempre pelo nome. Nunca com apelidos ou chamamentos carinhosos, do tipo “Bem”, “Amor”, “Querido”, ou mesmo “Pai” e “Mãe”.]

“Não interessa! Sempre cai alguma coisa aí no sofá, e depois a casa toda fica infestada de formiga! A gente fala pras crianças que isso não pode, e vem você e acaba fazendo o contrário! Como é que a gente vai fazê-las obedecer a essa regra, se você mesma a descumpre? Você é uma porca!!! E essa casa está virando um chiqueiro!!!”

Eu não descrevi toda essa contenda em seus estritos e precisos termos. Mas a parte da “porca” é verdadeira. E isso me ferveu o sangue.

Me levantei do computador.

“Como é que é? Você chamou a mãe de porca? ‘Cê tá doido?’Que absurdo! Onde já se viu dizer uma coisa dessas!? Que direito você tem de humilhar as pessoas desse jeito? Só porque ela comeu um mísero, UM MÍSERO sanduíche na sala e blá blá blá…”

Eram 11 da noite. Certeza de que os vizinhos de cima, de baixo e dos lados ouviram nossa discussão.

O que me deixou indignado, também, foi a passividade da minha mãe. Não foi a primeira vez que meu pai tem acessos de raiva e, desmedidamente, insulta moralmente alguém aqui em casa. Minha mãe é a vítima, na maioria das vezes. E ela aguenta tudo. Silente. Eu não. Não me contenho e trato de soltar o verbo. Quando era mais novo, não me atrevia. Tratava logo de abaixar a cabeça e levar esporro na cara. Mas hoje, não. Não estou nem aí se minha voz ecoa por todo o condomínio.  Não estou nem aí se sou impetulante.

Nem vou aqui me delongar, lembrando de alguns casos passados, porque não é o momento. Mas, sabe, depois de longos anos aguentando quieto os assédios morais que meu pai tem praticado, chega um momento em que não dá mais para ficar mudo. Ainda mais com a cabeça fervilhando de preocupações, frustrações e estresse.

Cada um tem os seus motivos particulares para que tenha um acesso de raiva. Até entendo que meu pai esteja passando por uma época difícil, ultimamente. Mas eu não tenho sangue de barata. Não sou um monge budista. Vi uma explícita e reiteradíssima falta de respeito, chutei o pau da barraca e pronto. Azar.

Nos ensinaram que os filhos, sob quaisquer circunstâncias, devem respeitar os pais. Por mais defeitos que eles tenham, os filhos sempre devem relevar e nunca tratá-los com desrespeito. Ontem, não deu para obedecer a esse dogma.

Eu admito que também me excedi. Acho até que, daqui a alguns dias, devo me desculpar. Mas, de certo modo, lavei a alma.

E se tem alguém por quem vale a pena me exceder, é a minha mãe.

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comments

Bom, eu acho que cada um tem seu amor próprio e seu senso para saber se defender. Se não o fazem, sabe-se lá porque, cada um tem seus motivos.

Mas acho que antes de partir para defender alguém, temos sempre que nos perguntarmos se a pessoas quer ser defendida. Senão, é esforço no lixo. Mesmo sendo a nossa mãe.

Desculpe se pareci insensível ou qualquer coisa. Aqui em casa, já aconteceu muito, e levantar a voz só serviu para me fazer tomar fogo dos dois lados.

Um beijo SG!

Lobo

27/11/2010

Cara, eu discordo do finalzinho… não acho que você desrespeitou seu pai. Sua atitude foi de revolta contra uma primeira falta de respeito. E acho que faria sim a mesma coisa.

Quando baixamos a cabeça, e todo mundo fez isso um dia, acho, não significa que respeitamos ao outro… muitas vezes o fazemos por medo, submissão (especialmente na relação pai-filho).

Respeito é uma via de mão dupla. Demos e receberemos. Seu pai não pode se colocar num pedestal, achar que antiguidade é posto e começar a praticar injustiças.

E perdão se me permito falar assim de sua família… mas é que isso se aplica a qualquer uma. A minha, inclusive.

Beijo grande!

inconstanteblog

27/11/2010

Concordo com isso. Porém, o fato de erguer o tom da voz já significa um afronto, pelo menos para o meu pai monster. Não importa se brigo ou estou exprimindo uma opinião. Erguer o tom de voz é pedir para levar mijada aqui em casa… hahahaha
Bem, pelo o que eu sei, as coisas são bem complicadinhas aí na tua casa. O jeito é conversar com calma e um apoiar o outro para que isso não se repita de forma tão agressiva. Acredito que você já esteja no caminho quando decidiu apoiar a tua mãe. Teu pai é assim e não vai mudar mesmo. Fato consumado. Mas parabéns pela iniciativa. Estou orgulhoso!
Um beijão! Tar.

Tar

27/11/2010

Olha cara… Pelo que leio aqui no seu blog, vc é um cara inteligente suficiente para ter um interpretação mais crítica a respeito de dogmas de conviencia pacífica em sociedade. Essa ideia de que nãi devemos, em hipótese alguma, nos opor aos nossos pais é o tipo de regra que só deve ser seguida quado você ainda não tem maturidade para compreender e interpretar as atitudes de seu pai como “corretas” ou não. O problema é que chega uma hora em que você cria sua própria personalidade, desenvolve a capacidade de olhar as coisas criticamente, e acaba tendo plenas condições de debater de igual para igual com seu pai. Mal ou bem, apesar dessa hierarquia familiar que existe não só na nossa, mas em várias culturas, você deve sim contextar seu pai caso julgue a atitude dele equivocada, afinal vocês são pessoas adultas que convivem em um local comum. Você não fez nada de errado, muito menos desrespeitou seu pai. Pelo contrário, você simplesmente o relembrou de que para que pessoas convivam pacificamente em um ambiente comum, alguns limites devem existir.

Um abraço cara!!! Até o próximo…

Júlio César Vanelis

28/11/2010