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Gay. Post por post.

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Eu desisti de desistir.

11/12/2010 ,

Sempre fui uma pessoa desistente. Quando as coisas começavam a ficar chatas, eu pulava do barco. Comecei a fazer Tae Kwon Do e, após dois anos de treino, desisti. Comecei, então, a fazer natação… desisti quatro anos depois. Iniciei a estudar língua japonesa e… abandonei o curso a dois níveis antes de me formar. Me inscrevi no clube de xadrez do colégio e… me retirei três anos depois. Me matriculei num curso de piano e, adivinha? Pedi que jogassem a toalha no ringue. Comecei a participar do Coral da universidade, neste ano, e parei de ir, cinco meses depois.

E já não é mais novidade para você que eu nunca gostei direito de Direito. Mas, mesmo assim, mesmo não gostando, e mesmo tendo um vasto histórico de desistências, resolvi persistir. E eis que… concluí o curso.

Ontem, tive a última aula e a última prova do curso todo. Direito Internacional, matéria que, aliás, gostei bastante. Só do professor que só acabei gostando há poucos dias atrás, quando me deu 9,5 na banca da monografia. Crueldade minha? Pode ser… mas é que aquela monografia surpresa para ser feita em 1 mês ainda não me desceu pelo estômago… Terminei a prova rápido. As questões foram fáceis de serem respondidas (porque estudei, né?). Despedi-me do professor de forma lacônica e… ahhhhhhh! Estou livre! Estou livre!

Esses últimos cinco anos foram de muitos altos e baixos. Logo no início do curso, um desânimo me abatia tremendamente. Até que consegui uma vaga de estagiário voluntário, no Fórum. Aquele sentimento de ser útil me deu um fôlego a mais. Mas no início do segundo ano, eu estava tão desanimado que até pensei em trancar o curso e passar uns tempos trabalhando no Japão. Já havia até feito passaporte, arranjado documentos… mas acabei desistindo da ideia. E olha que foi melhor não ter ido mesmo, pois a crise econômica japonesa veio logo depois, no fim de 2007… Nesse mesmo ano, em julho, fui chamado pela chefa. Fui agraciado com a bolsa-auxílio do estágio. Meu ânimo inflou-se novamente. E fui levando o curso assim, meio contente, meio descontente, até meados de 2009, quando o contrato de cooperação venceu-se.

Então, eu, sem estágio, e sem bolsa, me vi novamente desanimado. Porque meu desgosto por Direito sempre permaneceu. O estágio e o dinheirinho só eram meios de anestesia. E daí que se deram os piores e mais estressantes dias da minha vida. Era um martírio, ter de acordar de manhã e ir à faculdade. E depois chegar em casa e estudar para as provas… meu rendimento caiu sensivelmente. Pensei em desistir. Mas acabei insistindo. Afinal, já estava na metade do quarto ano do curso. Não queria morrer na praia. Não queria aumentar meu histórico de redenções.

Aí, depois de 18 meses de dureza, cá estou, quase formado (a colação será no fim de janeiro).

Pois é. Eu sofri. Chorei muito, de dor e de ódio. Mas, enfim, vejo que cada lágrima não foi em vão. Vejo que tudo isso valeu a pena. Não desisti, ora!

Pela primeira vez, eu fui até o fim de algo importante na minha vida. Com cicatrizes. Mas sem arrependimentos.

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comments

Vida de studante não é nda fácil…
As oportunidades são poucas, o reconhecimento é pior ainda… mas….temos que ser persistentes, e ir a luta…
Eu to passando por uma fase dificil,mas espero continuar firme nos studos..
Abçs

Ro Fers

11/12/2010

É mesmo. Vida de estudante é dureza. Em todos os sentidos…

Um abração!

SG

11/12/2010

A vida acadêmica é bem diferente da profissional. Eu que gostava de estudar as coisas do meu curso me vejo descontente com a forma que eles nos utilizam no mercado de trabalho. Você pode ter desistido de muitas coisas e acredito que o fez por estar movido pelo teu lado emocional, o que é bom se controlado! Isso só mostra que você não havia encontrado alguma atividade que te satisfaça ou que estava priorizando a tua faculdade (muito mais importante).
Ora! Conheço poucas pessoas que estão há muito tempo malhando! Por que tanta facilidade para encontrar pontos negativos e dificuldade para os positivos??? Sei que o momento não é oportuno mas não se deixe abalar assim. Você é mara! Um bjão!

Tar

11/12/2010

Ah… brigado, Tar.

Vou me permitir a ficar “me achando” um pouquinho. Mas só um pouquinho.

Beijão!

SG

11/12/2010

Desistir de desistir nunca é fácil. Precisei de uma pessoa puxando meus cabelos que eu não tenho pra eu parar com essa mania feia hahaha

Se compensa? Sei lá. Mas é bom ter as coisas terminadas.

Um beijo SG!

Lobo

11/12/2010

Se compensa? Também não sei.

Beijão, Lobo!

SG

11/12/2010

Ai que triste isso… será que eu ainda posso ter esperanças de concluir o meu curso?

Thiago

11/12/2010

Se eu, desistente de carteirinha, consegui terminar meu curso, você vai tirar isso de letra!

SG

11/12/2010

Estou orgulhoso de você.

E já falei que acho advogado MUITO tesudo?

Hahahaha

Beijos 🙂

Gui

11/12/2010

Aiaiai… falar isso durante minha fase de carência é muito perigoso… rsrsrs

Beijão!

SG

11/12/2010

Parece que este post foi escrito por mim. Eu vivo desanimado, desistindo, não correndo atrás das coisas. Mas nunca é tarde para mudar.
Abraços

Garoto do interior

11/12/2010

Tem razão. Nunca é tarde para mudar.

Um abração!

SG

11/12/2010

Me identifiquei com essa. Rs. Também sou uma criatura desistente, sabe. É patético, mas é o que sou (ou no caso somos). Só não desisti do meu curso, porque os colegas insistiram. Se não, tinha trocado. Mas nunca é tarde pra começar de novo, não é mesmo? Enfim, de uns tempos pra cá tenho tentando mudar as coisas = ser mais persistente. Exige muito esforço, muito trabalho, muitas horas pensando, muito tempo prestando atenção nas idiotices que faço, sou e nas coisas que ocorrem ao redor. Enfim, é meio desgastante. Mas a vida continua…

Detesto direito. Hehehe. Corajoso vc! Mas enfim, gosto de criação, nem que seja de colar um grão de arroz no papel ou um grão de feijão no arroz – e nem que isso fique uma bosta para o mundo e eu ache lindo.

Quer um ombro pra chorar?
Um dia a gente chega lá.

Cain Sodom

11/12/2010

Justamente isso que senti falta: criação! Ver resultados concretos, tateáveis… sabe?

E sim. Estou precisando muito de um ombro pra chorar! Huahuahauhau!

Beijão!

SG

11/12/2010

PS: me ensina japonês? Hehe

Cain Sodom

11/12/2010

Claro! Mas, depois que voltar de uma viagem ao Japão, não me processe, hein? Huahuahuaa!

SG

11/12/2010

Taí cara… Essa é uma coisa curiosa pra mim. Eu nunca tenho coragem de desistir. Na verdade, eu queria mesmo era ter coragem para desistir de certas coisas, sabe? Por exemplo, desde o início do meu curso, eu participo de um projeto de iniciação científica. Esse projeto é de matemática aplicada, sendo que eu estudo Farmácia, ou seja, o projeto não tem nada a ver com o que eu almejo profissionalmente. Já pensei em desistir várias vezes, mas quando eu olho pra tras, e vejo os dois anos inteiros que eu me dediquei ao projeto, eu perco a coragem. Mas eu também sei o que é desistir e se arrepender disso, já fiz isso algumas vezes…

Um grande abraço SG… Até o proximo

Júlio César Vanelis

12/12/2010

SG, meus parabéns pela decisão.

Seguir em frente nem sempre é tarefa fácil, mas acho que pelo menos pode te levar a um patamar acima por te fazer continuar na busca de meta outrora traçada.

Desistir é válido e necessário, sim. Quando o caminho escolhido não se apresenta mais como válido, quando o objetivo se perdeu, ou quando você mudou.

Mas você mesmo relatou seu caso como um círculo vicioso. Não importa a escolha, você desistia.

Romper este círculo não é fácil mesmo. Mas você conseguiu… meus sinceros parabéns!

in.Constante

13/12/2010

SG, me identifiquei muito com seu texto!Estou fazendo direito também e realmente detesto, eu gostaria de fazer história, mas é difícil licenciaturas hoje em dia, são muito pouco valorizadas e mal remuneradas.Além disso, há uma grande pressão familiar em cima de mim e todo o “peso” de o direito ainda ser um curso de status, que pode proporcionar estabilidade e altos salários!Vou tentar seguir o seu exemplo, embora eu seja mais desistona do que você, já que nunca fiquei mais de um ano em nenhuma atividade extracurricular.Beijos e sorte na sua trajetória profissional!

Ingrid

24/06/2011

Que engraçado. Tive momentos que me identifiquei litros com você. VIP. Descendente das terras do sol nascente. E ácido e sincero em cada palavra. Parabéns E.K.

M

16/09/2012