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Gay. Post por post.

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Sem carro.

14/01/2011

A gente só valoriza algo quando a perdemos, já nos bem dizia a nossa sábia e serena vovó. Essa verdade pode ser estendida a (certas) pessoas. E, no meu caso, eu valorizava um certo rapaz desde o princípio, até perdê-lo. Mas não é sobre isso que quero falar.

Estou falando do carro da família.

Já se passou um mês, desde o acidente na BR-376.  E ainda estamos desmotorizados. A seguradora ofereceu-nos uma semana de carro-reserva. No entanto, não aceitamos, vez que meu pai – o motorista – não podia dirigir com a mão recém operada. Agora, já nos fora pago o prêmio do seguro, e, portanto, perdemos a vantagem de usufruir de um carro locado.

Meu pai conversou com meu padrinho, e eles acabaram entabulando um negócio: comprou o carro da minha tia. O problema é que o automóvel, neste exato momento, está estacionado em uma vaga de um prédio no centro de Campo Grande, a 600 quilômetros daqui.

E meu pai, com um medão de pegar estrada novamente.

Ele até pensou em ir, anteontem, de carona com meus padrinhos, e voltar no dia seguinte, trazendo a minivan com cara de Pokémon, 2007, de cor champagne, sob sua condução. Mas os últimos dias de chuva o fizeram repensar. Ainda, a alternativa de pedir a ajuda do meu tio quarentão também não fora possível, ante à má-vontade dele, presumivelmente acarretada por algum rolo mulherengo…

E estamos sem carro. Fazendo compras em parcelas. Não, não me refiro ao pagamento, que aqui em casa sempre se deu à vista, ante à teimosia de papai em recusar todas as ofertas tentadoras de cartões de crédito, que teimam em dar as caras no escaninho da portaria. Estou falando da compra, mesmo. Um dia, compra-se o arroz. Noutro, o feijão. Depois, o material de limpeza. Aí, vem a feira. Depois o açougue. E assim, parceladamente e pedestrialmente, vamos enchendo a nossa despensa.

Sem falar da memória curta da minha mãe (perdão, mamis, não resisto). Antes de eu ir ao supermercado, ela me faz uma longa lista de secos e molhados. E então, quando volto, ela se lembra que esqueceu de pedir os úmidos.

E lá volto eu, em busca dos úmidos olvidados.

E estamos sem carro. Dependendo de carona de todo mundo. Enquanto meus padrinhos estavam aqui, entrávamos no seu enorme e negro SUV de fabricação japonesa, munido de um motor seis cilindros sedento por gasolina, e saíamos para almoçar, jantar ou passar o dia na casa de outros tios meus. Ou então, nos espremíamos na prateada e “pronta para a caça” caminhonete de cabine estendida do meu tio quarentão. Ou então, pegávamos boleia no compacto cinco portas e sem calotas da minha prima.

E estamos sem carro. E eu que vivia reclamando do nosso antigo carro, agora que não passa de um amontoado de ferro retorcido. Reclamava do seu motor barulhento, dos bancos duros, da cabine apertada, da má-qualidade do acabamento interno… tolices, se comparadas à absoluta ausência de um automóvel.

Ah… como eu queria tê-lo de volta para, ao menos, soltar rabugentices. E agora, me lembro de certo rapaz de cabelos negros e curtos, corpo quente e sorriso inigualável… e penso, dolorosamente, no quanto eu gostaria em tê-lo de volta… Mas a vida continua em seu constante curso. E, semana que vem, meu pai e eu buscaremos nosso novo carro.

Não digo na semana que vem, mas, num futuro não muito distante, farei o mesmo para acabar com o vazio da vaga daqui de dentro de mim, caso eu me depare com outro automóvel sexy, sorridente e com um câmbio delicioso. Só espero não ter de ir tão longe, para isso.

Por enquanto, fico sem carro, mesmo.

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comments

Não é o que dizem, antes só do que mal acompanhado?

Eu, particularmente, nunca dei tanta importância pra carro não. Gosto de sentir minhas pernas, e caso seja muito longe, busão não me incomoda.

Beijo SG!

Lobo

14/01/2011

Rpz esse ditado é sempre verdadeiro mesmo! Eu tambem me arrependo de não ter dado devido valor a algo no passado. Assim como você espero que não tenha ido longe demais, espero encontrar alguem especial ainda.
Com o carro espero que tudo se resolva o mais rapido possivel pra voce e sua familia voltarem a rotina.

Abraços@!

Cocada.g

14/01/2011

É assim mesmo. Acho que todos passamos por isso. Mas, em relação ao carro concordo com o Lobinho…
Boa sorte nas questões do coração!!!
Bjos!!!

Jean Borges

14/01/2011

Meu Deus, morreu – praticamente – um membro importantissímo da família. Sei que isso não o trará de volta, e a gente sempre se compota assim com os mortos: “ah, ele não era tão mal. Ah, agora que ele se foi ele faz falta”. Meus pesames. Rs. Melhoras para seu pai! Seja eficiênte e revise a lista da tua mãe, evitando-se, retrabalho. Mas veja o lado bom, tá malhando esse corpitho, colegue!

Cain Sodom

14/01/2011

Rapaz de cabelos curtos e negros, corpo quente e sorriso inigualável? Por acaso nos apaixonamos pelo mesmo cara? LOL, BRINKS. Mas é foda né?

Besos

Thiago

15/01/2011

Ahh cara, eu nunca ligeui para carro não, sabe? Acho que já tenho prática e hábito de fazer tudo pegando buzão/barca/metrô… Eu até me divirto vendo os detalhes da(s) cidade(s) por onde passo… Mas enfim, eu entendo que o carrinho deve estar faznedo falta…
Agora, quanto ao bofe, eu sei que é barra desencanar nesses casos. mas procure manter a mente ocupada, e vá a luta. Aquele lance de que a melhor coisa para esquecer um amor é arrumando outro não é balela de novela, pode apostar.

Enfim, desejo que você encontre o carro perfeito para você, e estou certo de que vc vai possui-lo quando menos se espera…

Um beijo SG, até o próximo

PS: Eu ri muito com a parte do “Câmbio delicioso”… kkkkkk

Júlio César Vanelis

17/01/2011