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Gay. Post por post.

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Distância.

31/01/2011

Briguei feio com meu pai.

De novo.

A discussão, como sempre, teve início com uma picuinha. Estávamos todos na casa de um tio meu. Eu tinha dito a meu pai que queria voltar para casa, para que eu pudesse tomar banho, trocar de roupa e sair com meus primos, logo naquela noite. Como eu havia avisado isso um tanto cedo demais, ele se esqueceu. E eu acabei cochilando no sofá da sala.

Eis que, dez minutos antes do horário marcado para a reunião numa chopperia, minha tia chega, afobada, dizendo para eu acordar e me trocar rapidamente. Uns amigos do meu primo já estavam nos esperando lá no local marcado.

Saltei do sofá e corri para a varanda, chamar meu pai. Começamos a discutir. Entramos no carro e continuamos a discutir. O carro começou a andar e continuamos a discutir. As vozes foram aumentando de volume. Os gestos, de amplitude. E, à certa altura, meu pai começa a berrar. E eu também.

“Pára o carro agora! Pára o carro!” – eu disse, soltando fogo pelas ventas.

Saí. Bati a porta com força. Meu pai foi embora.

(abre parênteses) Um cara sem noção, sentado na floreira de um hospital, diz: “Ei, japonês! Vem cá! Eu sou baitola! É verdade! Eu sou baitola! Vem conversar!”. Fingi que não era comigo e continuei caminhando. (fecha parênteses)

Como é perigoso ficar perambulando pela cidade à noite, abriguei-me na entrada do hospital. Fiquei lá por um tempo. Chamei um táxi. E, só então, voltei para casa.

Telefonei pra minha tia e avisei que não iria à confraternização. Meu pai voltou para lá. E eu fiquei em casa, fazendo um jantar improvisado e mexendo no computador.

11 e meia da noite, chegam meus pais e meus irmãos.

“Me desculpa, SG. Não devia ter gritado daquele jeito contigo”.

Me levantei.

“Desculpa. Eu também não deveria ter gritado e saído do carro daquele jeito”.

Nos abraçamos, meio sem jeito. E depois, ele completa:

“O seu padrinho me disse que, quando a gente grita, quer dizer que nossos corações estão muito longe um do outro.”

De fato. Estão muito longe.

Mas, centímetro por centímetro, abraço por abraço, estão, enfim, se aproximando.

E, decibel por decibel, espero gritar menos.

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comments

Briga em família é mto chato…Creio que se morasse com meu pai, seria nessa base também!
Ainda bem que fizeram as pazes!!!
Abraços!!!

Jean Borges

31/01/2011

Uma dúvida: pelo que lembro das brigas passadas, a reconciliação nao era assim tão rápida… Sinal de início de novos tempos? Desde o post lá do acidente, torço que sim.

Um xêro p’rocê… E corações mais próximos tbm!

in.Constante

31/01/2011

Mas, uai. Se ele se esqueceu, você dormiu. Por que não colocou um despertadorzinho? Afinal, se o compromisso era seu…

Ah. E o site da revista Dom, aí na barra da direita, nem é mais acessível. Infelizmente.