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Gay. Post por post.

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Embalagem.

17/02/2011

Só para constar: mesmo me descabelando de estudar, não deixo de blogar nem de ler blogs alheios por nada nesse mundo. Só assim para não ceder à loucura.

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Por que nós rotulamos pessoas?

Não importa o quanto sejamos tolerantes às diferenças, abertos para tudo, conscientes e civilizados. Sempre. E digo mesmo nessa frequência. SEMPRE rotulamos qualquer um que passe por nós. Na rua. Na feira. Ou no elevador do prédio.

Ontem mesmo, enquanto corria em torno do estádio, rotulei algumas pessoas. Em uma das voltas, vi uma moça de cabelos presos e compridos, usando uma blusa preta e uma longa saia jeans. Em seus pés, sapatilhas beges. Imediata e rapidamente, já fiz um dossiê mental:

  • 25 anos.
  • Evangélica.
  • Ouve Aline Barros.
  • Cozinha bem.
  • Vai ao culto nas noites de sexta.
  • Quer se casar e ter vários filhos.
  • Mora com a mãe e com a avó.
  • Faz compras nas Pernambucanas.
  • Mora no Jardim Alvorada.

Olhei aquela moça por uns… dois segundos. Como é que eu pude tecer tantas presunçosas presunções, com base em uma superficial olhadela de ínfimos dois segundos? Creio que ela poderia ter uns vinte e cinco anos.  Como é que alguém pode fazer um resumo de setecentos e oitenta e oito milhões, novecentos e vinte e três mil, cento e cinquenta segundos de vida, baseando-se em apenas dois segundos?

E aposto que aquela moça, se tivesse me visto, teria feito o mesmo. Vamos abstrair: um cara japonês de cabelos um tanto compridos, com brincos nas orelhas, correndo sem camiseta, todo suado, vestindo uma bermuda razoavelmente comprida, estampada com formas geométricas, com um mp3 estourando nos ouvidos…

  • 20 anos.
  • Gosta de balada e de pegar o máximo de garotas possível.
  • Extrovertido.
  • Metido.
  • Nem um pouco religioso.
  • Nem de longe, o tipo de homem com o qual casaria e teria filhos.

Ela teria acertado muito pouco (o último item e, talvez, o quarto, apenas).

A propósito, ao presumir que ela tivesse feito o dossiê, acabei fazendo mais uma rotulação da moça.

Então. Por que rotulamos as pessoas? Vou além. Por que rotulamos tudo? Pessoas, animais, músicas, comidas, roupas, desodorantes, legumes… como se a existência e coesão de tudo isso dependesse da consistência e hermeticidade das definições categóricas pré-configuradas em nosso acervo psíquico de ideias, formas e estética.

Pura besteira.

Isso é sinal de que rotular é ato inevitável. E incrivelmente eivado de erros. Na maior parte das vezes – e digo isso por experiência própria -, a rotulação acaba por nos brindar com boas surpresas. Quando conhecemos um pouco mais daqueles milhões de segundos, tudo se transforma. Claro. Admito que, às vezes, ela é fundamento para a tal da “propaganda enganosa”. Sabe, né? Aquele papo de “Por fora, bela viola. Por dentro, pão bolorento”. Entretanto, no geral, acabamos é perdendo tempo, limitando nossas ações em nossa mental confecção de rótulos.

Será que há alguém por aí que esqueça um pouco do meu rótulo e tenha vontade de abrir a embalagem?

Nem quero pensar sobre o teor da frase acima. Desconsidere-a, por favor.

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comments

eu acho natural, até certo ponto. a gente se baseia por símbolos, ne? simbolos, signos, é o que nos permite interpretar o mundo à nossa volta. o importante é, eu acho, não se limitar a rotular, mas, como voce disse, ter o interesse e a disposição de rasgar a embalagem e conhecer o produto, de fato. e mais importante, não se deixar prender apenas à embalagem, não importa o quão chamativa e bem desenhada ela seja.

eu tento cuidar da minha embalagem, porque no fundo sei que é o que todos veem, e o que mais facilmente enxergam. e, atualmente, estou numa fase em que prefiro não experimentar muito o produto, para não correr o risco de me tornar cliente fiel. dou uma provada, depois embrulho de volta no invólucro e deixo de lado.

triste, mas mata a fome.
=/

[j]

Joe

17/02/2011

Comportamento bastante comum esse. Não temos na realidade como fugir. Na verdade eu diria que é mais como um ato de autoproteção. Você não vai querer abrir a embalagem de alguém mal apresentado ou beijar alguém que tenha um dentes faltando ou um olho de vidro.
Querendo ou não a embalagem é a primeira impressão que damos aos outros, mesmo que esta sejamos diferentes por dentro.
Prefiro ser realista nessas horas em vez de vagar demais em ilusões ideais que não são aplicáveis. Você disse em outro episódio em não ajudar aquele cara no ônibus pelo o que ele era. Você conseguiria desconsiderar sua embalagem para ter mudado de atitude?
Já em relação a suposição do que a ms. evangélica possa ter pensado. Isso faz diferença para você? Nós só pegamos uma embalagem se o produto nos convém. Pense nisso!
Não considere esse comentário como ríspido, e sim como um pensamento contrário ao post.

Tar

17/02/2011

Acho que rotulamos as pessoas automaticamente como uma forma de processamento. Mais fácil lidar com pessoas e situações quando temos uma idéia de que grupo ela se encaixa, e o cérebro vai e recorre ao tratamento apropriado.

Pelo menos eu penso assim. Rótulos são necessários.

Lobo

17/02/2011

Criando categorias fica mais fácil ao cérebro interpretar as informações…
E, se vc entrasse no msn nos horários que eu estou on, arriscaria conhecer o produto…hehehe
Bjos!

Jean Borges

17/02/2011

Ahh cara… Eu acho que o que você está criticando aí nõ é exatamente o ato de rotular, mas sim quando este ato se torna algo prejudicial. Rotular é uma coisa necessária, até certo ponto… Se não rotulassemo, estariamos sujeitos a muitos mais momentos desagradáveis. Eu vejo isso como uma espécia de otimização dos atos: nem sempre dá certo, mas ajuda a eliminar tudo aquilo que desvia muito de um padr~]ao criado por você mesmo. E a forma como qgente faz isso muda com o tempo…

Enfim… Não seja impaciente (eu não ignorei sua penultima frase… rs). Essa pessoa existe sim, é só vc ter paciencia…

Abraço, Japa (rsrsr)… Até o próximo

Júlio César Vanelis

17/02/2011

A vida é uma aposta. =D

Thiago

18/02/2011

Olha, juro que abro sua embalagem com cuidado, viu?

Falando sério agora, rotular é fundamental. O importante é, apesar dos rótulos, conseguir dar a pessoa uma chance de se mostrar verdadeiramente a você.

Gui

18/02/2011