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Gay. Post por post.

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Vazio.

10/03/2011

Muitos acreditam que as suas tristezas têm início com o vazio que possuem dentro de si. Mas isso não é verdade. Pelo contrário, o vazio é nada. É vácuo. Não possui substância. Nem abstração, nem concretude. É apenas a falta. E a falta, o nada, não tem potencial algum de causar quaisquer sentimentos. E não confunda o vazio com a saudade. Esta é reflexo de algo que existiu, e que, portanto, ocupa o seu espaço, contrariando a estrutura inexistente do oco.

A tristeza tem início é com o algo de ruim que existe dentro de nós. Alguma mácula, alguma recordação, algum sonho não realizado, um fracasso, que permanece, existe, em algum vértice do nosso interior. Algo que, sensivelmente, ocupa. Pressiona.

O vazio, por outro lado, desocupa. Alivia. Tornou-se num objetivo a ser alcançado. A propósito, um objetivo impossível. Porque sempre resta alguma migalha de tristeza ou felicidade, tal qual é impossível ao alambique retirar toda a água do álcool. Mas, mesmo assim, o vazio tornou-se num objetivo plausível e desejado. Como um talho de cachaça.

Pois, como já dito acima, o vazio não tem potencial algum de causar quaisquer sentimentos. E, se, nesta vida, está cada vez mais difícil preencher o coração com felicidade, uma alternativa seria esvaziá-lo. Ligamos o modo “on-alert”, e nos protegemos. Selamos nosso corpo para impedir que qualquer sentimento nos invada. E vamos, pouco a pouco, nos esvaziando.

Quando não nos aventuramos num desafio, impedimos a entrada de uma derrota. Quando nos boicotamos em curtir um verdadeiro amor, impedimos a entrada do possível sofrimento advindo do desamor. E assim, fechando a entrada e abrindo a saída, nos esvaziamos.

E conseguimos suportar, até que razoavelmente bem, os nossos dias. Namoricando ali e aqui. Saindo para programinhas suaves aqui e acolá. Deixando a vida seguir o seu curso ao vento, sem a intervenção das velas. Com o coração, aparentemente, vazio de tristezas ou de alegrias. Alcançando-se, supostamente, se não a plena felicidade, então uma tranquilidade de espírito, pautada pelo equilíbrio do vazio.

Ledo engano. Sempre sobra uma poeirinha de alegria ou tristeza. Uma migalha de felicidade que nos causa saudade. Um traço de infortúnio que cutuca o miocárdio. Uma partícula do nosso passado que, flagrantemente, nos diz que não somos vazios. Um cisco que nos diz que não podemos nos manter vazios.

Não se iluda, meu amigo. Não se iluda.

O vazio nunca irá preenchê-lo. Nunca.

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comments

Verdade! Bjo!

Jean Borges

10/03/2011

Eu não queria ter lido esse texto hoje. Estou me sentindo um bagulho agora. Pior que isso até.

Beijo enorme, querido.

Gui

10/03/2011

Desculpe a falta de tempo, outra hora entro com mais tempo….
Indiquei um selo pra ti no blog…
Forte abraço!

Ro Fers

10/03/2011

Sabe, SG.. Tentar acalçar esse vazio idealizado por você é algo impossível… Se você considerar o fato de que todo ser humano precisa conviver com outros seres humanos para pelo menos suportar a vida, tornar nosso coração vazio de sentimentos acaba sendo totalmente impossível. Por mais que agente não queira, as pessoas com as quais agente convive sempre vão deixar impressões, seja de felicidade, ou tristeza, até emsmo ódio e repulsa. Não tem como nos livrar do risco de termos tristezas na vida… E também e um sacrifício muito grande nos livrar das felicidades… Portanto, meu caro, viva a vida, mesmo que seja doloroso… Os momento de dor não são continuos, tem sempre alguma coisa que nos traz de volta, que nos alivia a dor, um ópio, morfina… chamada felicidade…

Um abraço, SG… até o próximo

Júlio César Vanelis

11/03/2011