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Gay. Post por post.

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Aceite-se. Você é gay.

12/03/2011

Eu sei (e como sei). É difícil assumir-se gay. E não falo de sair do armário, de contar para outras pessoas sobre essa característica. Refiro-me em aceitar-se gay. Ter consciência sobre a atração física e sentimental por pessoas do mesmo sexo.

Desde criancinhas, somos bombardeados por lições “morais” de que ser gay, marica, boiola, bicha, viado e tantos outros termos, é algo errado. Anti-natural. Pecaminoso. Eu, por exemplo. Uma vez, fui severamente repreendido por meu pai, por estar brincando de casinha com minhas melhores amigas do condomínio. Ele disse que menino tem que jogar futebol e brincar com outros meninos. E eu adorava me fazer de Amélia, fingindo assar bolos e fazer faxina em uma casa imaginária, botando fofocas em dia com as vizinhas.

Pois bem. Toda essa reprimenda de nossos pais e pessoas próximas, influem no modo como enfrentamos a nossa sexualidade. Quando começamos a perceber que nossos sentimentos e desejos se voltam para os meninos, um nó na cabeça aparece. Ao mesmo tempo em que não conseguimos controlar esses impulsos, somos forçados a negá-los, por termos enrraizado a noção maléfica do fato de ser gay. Eu sabia muito bem que gostava de garotos. Mas, após ver fotos de homens pelados na internet, eu era invadido por um tremendo sentimento de culpa e vergonha. Quando meus pais vasculharam o computador e descobriram tais imagens, fiquei extremamente constrangido. Cheguei a jurar que não iria mais ficar vendo essas coisas. Prometi tornar-me heterossexual, até!

Mas isso é impossível. Nós não nos tornamos gays ou héteros. Não dá para escolhermos isso. Simplesmente somos. E, em função dessa impossibilidade, passamos então a mentir. A nos esconder. E a sofrer. Saber que se é de um jeito, e ter de viver de forma contrária, só para não incomodar os outros. Ter de boicotar sentimentos e atitudes, em função do terrível medo de ser repreendido e de ser atacado com humilhações e olhares furiosos de pessoas importantes, como nossos pais e amigos.

Durante minha adolescência, sofri muito com isso. Não tinha auto-estima. Não podia ser verdadeiro com meus amigos. Deixei de viver muitas coisas, em função da árdua tarefa de fingir papéis. Meu medo de ser descoberto e reprovado me limitava bastante.

Mas a gente cresce. E, pouco a pouco, vamos nos aceitando melhor como somos. Quando entrei no terceiro ano do ensino médio, já lidava melhor com a minha homossexualidade. Não sentia mais culpa por ser gay. Que mal há de gostar de garotos bonitos? Que mal há em querer beijar alguém com uma barbinha que acaricia nossos queixos? Querer ser abraçado por alguém com braços fortes? Os héteros também querem garotas bonitas para sentirem aquilo que chamamos de amor. Os gays também têm esse direito. Por que Deus iria negar a nós, gays, o direito sublime e incomparável de amar a quem amamos?

Foi nisso que me baseei. Eu tinha tanto direito de ser feliz quanto qualquer outra pessoa no mundo. Eu tinha (e ainda tenho) o direito de amar!

Eu sei que este texto não tem tanta serventia para muitos leitores, que já passaram, assim como eu, dessa difícil fase da aceitação. Mas tenho consciência de que há muitos outros leitores que ainda não passaram por essa importante etapa da vida.

E, para você, que está nesse complexo processo de autoconhecimento e autoaceitação, te digo: não há nada de errado em ser gay. Você está tão certo quanto qualquer outro. Gostar de garotos é apenas uma das milhares de faces que você tem. Ser gay não te define. Isso não te faz errado, pior ou inferior. Deus ama de forma igual. E todo o sofrimento que você sente, pelo fato de ser gay, irá embora quando você menos perceber.

Estamos nesta vida para sermos dignos, honestos, solidários, amorosos, fraternos e, acima de tudo, felizes. Podemos muito bem ser assim, gostando de garotos.

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comments

Eu me aceitei ja tem um tempinho, não mto. Coloquei na cabeça q n sairia do armario enquanto n tivesse alguém, ou somente caso alguem me visse com um peguete. E foi oq aconteceu nesse carnaval, a aceitaçao foi mto melhor do q esperava por todos, de certa forma me apoiaram e tudo.
Ainda to naquela parte depois q vc sai meio voando, meio surreal. N sei se for a melhor forma de sair mais pra mim acho q seria a unica forma, sou mto timido.
Essa coisa de e de menininha n faz isso, sempre reprimimos, nos sufoca, imagino q foi uma das coisas q me reprimiu mais.

Luiz

12/03/2011

Ótimo texto. Quem dera se nós tivéssemos tanta informação sobre nossa condição quando passamos pelo processo. Por isso também, não entendo quando algum gay assumido escolhe não levar a diante um relacionamento com alguém que ainda está no armário. Todo mundo passou por isso e acho q devíamos ter mais paciência!
Bjos!!!

Jean Borges

12/03/2011

Perfeito o seu texto…
E eu te digo uma coisa… Concordo plenamente quando você diz que as atitudes dos familiares e dos amigos influenciam bastante na forma como lidamos com isso. Mas eu ainda acho que a pressão da própria sociedade e da mídia exerce uma força muito maior. No meu caso, por exemplo, meus pais nunca me repreenderam por eu gostar de atividades de supostamente eram femininas (eu brincava de casinha também, e também adorava a coleção de barbies da minha irmã, cheguei quase a montar uma própria coleção, tudo com apoio dos meus pais), além disso, eles sempre conversaram muito comigo a repeito da homossexualidade, que eu não deveria me reprimir caso eu tivesse alguma sensação que me fizesse me crer homossexual. Ainda assim, eu levei um bom tempo para aceitar a minha condição, e passei pelos mesmos problemas que você passou, inclusive medo de ser descoberto a respeito de imagens no meu computador… Felizmente, hoje eu sou muito bem resolvido quanto a isso, e procuro ajudar sempre que posso a pessoas que pssam pelas mesmas dúvidas que eu passei…

Um abraço, SG… até o próximo

Júlio César Vanelis

12/03/2011

Me identifiquei com tais situações na adolescencia… Vivia fugindo e com medo de ser descoberto…
Eu nao me aceitava, vivia tentando ser hétero, enfim…
Embora eu nao seja assumido, eu já me aceito atualmente…
Abçs

Ro Fers

12/03/2011

Já eu me “confundia” hétero, porque gostava muito de uma menina e ao mesmo tempo eu sabia que sentia atração por homens (a internet existia pra isso). Hoje tenho consciência de que por mais que eu goste de uma mulher, quando o assunto é atração física, não há meio termo.

Thiago

12/03/2011

É o processo que todos nós passamos, eu acho.

Mas não importe o quanto você prove seu valor, pra algumas coisas, esse fardo sempre será pesado demais.

Gui

12/03/2011

oi adorei o post ,muito bom mesmo.

lucas oliveira

12/03/2011

Eu só discordo do ultimo parágrafo. Acho que cada um é munido de seus preceitos morais, que nem sempre envolvem essas características. Por exemplo: eu não sou nem um pouco fraterno.

Beijo SG!

Lobo

13/03/2011

verry nith

joujou

26/07/2012

legal ele tem rasao!

tigrao

16/04/2013

Amei o post. Eu estou na fase de aceitaçao completei 18anos em fevereiro e comecei à pensar na vida e vi q só sofro à ouvir aqueles apelidos tipo gay, viado e nunca me defender chorei muito e ñ me aceitava mais agora estou meio que me aceitando e vou conseguir fazer isso pq agora eu quero é ser feliz e quero tambem ter orgulho de ser oq sou + tem tambem a parte de se assumir á família. alguem aí já é assumido para a família me add no facce: mailson.lima.524@facebook.com e vamus teclar

mailson lima

08/05/2013

sinceramente foi muito dificil pra mim eme assumir..cheguei ate a apanhar do meu paie quase fui expulso de casa. Mas com o tempo foran me aceitando e eu tbm aprendi a me aceitar..
Mas enfim..otimo texto e era exatamente oq estava se passando cmg.

Daniel

06/01/2014

Estou contigo e assino em baixo

Ivan

18/08/2016