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Flying high.

13/03/2011

Hoje é domingo. Pé de cachimbo. E domingo era batata. Dia de programa de índio. Durante minha infância, montávamos no carro e seguíamos para o Aeroporto Gastão Vidigal, passar a tarde vendo pousos e decolagens dos Fokker 50 da Rio Sul, dos Embraer EMB 120 Brasília da InterBrasil e dos Cessnas, Beechcrafts e Learjets de táxi aéreo… adorava ver aquelas máquinas metálicas gigantescas alçarem voo, e me perguntava como tanto peso poderia transitar a milhares de metros acima do solo. E a epifania veio quando o primeiro avião comercial a jato pousou por aqui. Era um Embraer ERJ-145 da Varig-Rio Sul. A aeronave era linda, azul e branca, com o escrito “Jet Class” douradamente gravado nas turbinas. Ficava maravilhado com o cheiro de querosene no ar, e a inacreditável silenciosidade dos motores Rolls-Royce…

Nosso aeroporto era assim.

O Aeroporto Gastão Vidigal era pequeno e muito feio. Sua grama pálida e mal cortada parecia um pasto, e só faltavam mesmo as vacas para dar ao local o ar pecuarista que exalava. Pequeno, só recebia voos de Curitiba (CWB) e São Paulo (CGH). Por causa disso, visitei por muitas vezes o aeroporto de Londrina (LDB), linda cidade a 100 quilômetros daqui, quando parentes vinham de Cumbica (GRU).

E que maravilha era ir até o Aeroporto Santos Dumont (de Londrina, não o do Rio). E que maravilha eram os Boeing 737-200 da finada e saudosista VASP. O ruído forte dos motores “caneta” era uma sinfonia potente. Meus olhos brilhavam quando a escada escamoteável era armada, logo abaixo da porta do avião. E, na decolagem, em dias de chuva, me deliciava com o “spray” d’água que as turbinas faziam, com seu empuxo extraordinário.

Sonhava em voar em algum daqueles troços alados. E realizei esse desejo, pela primeira vez, em 2007, numa viagem que fiz para Campo Grande. Embarquei em um ATR-42-300 da Trip, num voo noturno. Não deu para ver muita coisa lá de cima. Mas a sensação de decolar, o atendimento impecável das comissárias de bordo, e o frio na barriga do pouso, foram inesquecíveis. Voltei morrendo de medo, pois foi bem na época daquele terrível acidente com o Airbus A320 da TAM.

Com a chegada da Gol Linhas Aéreas, em 2001, o ato de voar perdeu muito do seu glamour. Os tempos áureos da VARIG, VASP, TransBrasil, Cruzeiro, Nordeste e tantas outras empresas, se foram. Nos hangares e pátios, sucatas de belíssimas aeronaves dessas companhias, enferrujando-se com as chuvas. E, se antes viajar de avião era um luxo, hoje isso é bastante comum. O “Low Fare, Low Cost” emplacou. E, em pouco tempo, teremos que voar em pé, como a RyanAir está querendo fazer lá na Europa…

Pois é. Estamos numa tarde de domingo de março de 2011. O costume familiar de passar a tarde vendo pousos e decolagens se foi há anos. E as máquinas aéreas de outrora não voam mais por aqui. Apesar de tudo, o espírito de criança e o frio na barriga ainda continuam, quando a cabine é invadida pelo barulho dos motores a todo gás, e as costas são empurradas para o encosto do assento. Pela janela, a grama e a pista começam a borrar-se, e, então, aquela parafernália começa a flutuar, rumo às nuvens.

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Ainda não voei…Morro de vontade!
Bjo!

Jean Borges

14/03/2011