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Gay. Post por post.

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Assim fica difícil esquecer – Continuação.

20/03/2011

Capítulo II – Sustos.

Começamos, então, a namorar. Escondidos. Nem sempre dava para nos encontrarmos na casa de um ou de outro. Na dele, dificilmente dava, porque sempre havia alguém na casa. Seus pais e seus irmãos ainda não sabiam que ele era gay. Na minha casa, dava para ficarmos juntos mais vezes, nos fins de semana, mas também não era muito.

Certa vez, o busquei de carro. Entramos na garagem. E, quando estávamos prestes a subir para o apartamento, meu pai chegou de bicicleta (aos que ainda não sabem, meu pai é o típico “ecogeek”). Ficamos nós três, ali, juntos. E eu tentando manter a naturalidade.

“Oi, pai! Desci para buscar meu controle do portão, que estava no carro”.

Meu namorado fingiu ser mais um morador do prédio. Nem olhava para a minha cara. Muito menos para a do meu pai. Entramos no elevador. Gê (vou chamá-lo assim) desceu no térreo. Subi para o apartamento, com o coração na boca.

Após enrolar mais um pouco, desci, e fui de encontro a Gê, no hall do prédio. Ambos mortificados.

Mesmo assim, não deixamos de dar nossos amassos… tinha a chave de uma escadaria que ninguém usa, aqui do prédio. E lá, podíamos ficar o tempo que quiséssemos. Era desconfortável. Mas o fato de ficar lá, juntinho com ele, compensava qualquer coisa.

Em outro fim de semana, o apartamento estava livre. Tratamos de aproveitar a chance. Por precaução, ficamos na sala, e deixei a televisão ligada, sintonizada na câmera da entrada da garagem. Quando um carro chegava, logo parávamos de nos engalfinhar, para ver quem é que estava entrando…

Porém…

Minha mãe e minha irmã resolveram voltar do clube a pé e mais cedo. Não as vimos chegar pela câmera, pois entraram pelo hall, e não pela garagem… A porta da área de serviço se abriu. E nós dois, ali, na sala, só de cuecas. “Putz, cara! E agora?” – disse Gê, catando suas roupas, antes de correr para o meu quarto. Tratei logo de me vestir.

“SG, que tênis é este?” – minha mãe, entrando em casa.

Era o tênis do Gê. Estava na área de serviço. Não sabia o que dizer.

“É… meu, mãe…” – enquanto abotoava os botões da camisa.

Ainda tinha esperanças de contornar a situação. Esperaria minha mãe entrar no seu quarto, tomar banho ou sei lá. E daria um jeito de tirar o Gê de casa, sem ser percebido.

“Seu? E com que dinheiro você comprou esse tênis? Você não faz mais estágio… como é que arranjou grana para um tênis tão caro assim?”

“Então… vendi alguns livros que eu não usava… no Mercado Livre…”

“SG… para de mentir. Olhe aqui. Você calça 42. Este aqui é 43”.

Não tinha jeito. Admiti. E sou um mentiroso péssimo, como você pôde perceber pelas incríveis desculpas dadas…

“Tá bom… esse tênis não é meu, não… é do meu… er…”

“Ah… você trouxe alguém pra casa, não é?”

“… sim…”

“Eu sabia! Viu, Aline? Bem que a mamãe falou que era melhor a gente ter vindo mais cedo pra casa! E cadê ele?”

“Ele está no meu quarto… mas não vá lá não, por favor! Nossa, que vergonha… mãe, você não poderia ir um pouco para o teu quarto? Assim, a gente evita um constrangimento maior e…”

“De jeito nenhum! Onde já se viu? Esta aqui é minha casa e não tenho nada que ficar me escondendo não. Daqui, não saio!”

Fui para o meu quarto. Gê estava escondido, atrás da porta. Quando me viu, fez aquela cara de vergonha. Olhou pela janela, para ver se dava para pular. Mas nem. Moro no terceiro andar.

“Putz, SG! A gente poderia ter ficado na sala… sei lá, fingindo que assistia TV… aí, você diria pra tua mãe que éramos amigos e tal…”

“Desculpa, Gê! Mas é que eu fiquei apavorado!”

“E que desculpinha mais esfarrapada aquela dos livros, hein? Huahuahau!”

“Isso! Dá risada! Huahuahua! Vai! Não é você que terá de ouvir depois, né?”

Eis que minha irmã entra no quarto. 11 anos. Já entendendo tudo.

“Olha, SG. O papai vai chegar daqui a pouco… é melhor vocês irem rápido!”

Respiramos fundo. Saímos do quarto. Passamos pela sala. Gê cumprimentou rapidamente minha mãe, que também o cumprimentou, com cara de traída. Saímos do apartamento em disparada.

No hall do prédio, ríamos, descontroladamente.

E foi assim que apresentei meu namorado para minha mãe.

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comments

nossa adorrei , isso ta melhor que conto erótico! to doido pra ver os próximos …

lucas oliveira

20/03/2011

Adorando a história, e te seguindo também.
Abraço

Luccas

20/03/2011

Que situação SG! Na hora do desespero é difícil encontrar uma saída simples como dizer q ele é uma amigo q foi assistir um filme ou estudar kkkk. Que bom q riram da situação depois.

Garoto do interior

20/03/2011

Assim, estou adorando, mas está ‘ok’ pra você relemnbrar isso tudo?

Gui

20/03/2011

Está sim, Gui. Tipo que uma desintoxicação, entende?

SG

20/03/2011

gente
ahauahuahauahau
agora só dá pra rir né?
kkkkkkkkkkk

FOXX

20/03/2011

Realmente deve ter sido mto constrangedor…Mas, é pra héteros e gays!
Bjo!

Jean Borges

20/03/2011

Ri mto, deve ter sido mto constrangedor. Nem sei oq eu faria.

Luiz

21/03/2011