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Gay. Post por post.

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A primeira conversa.

20/04/2011

Assisti “Prayers for Bobby”. Lembrei-me do dia em que travei a primeira conversa direta com minha mãe, sobre minha homossexualidade. Tinha 17 anos.

Não foi lá uma conversa muito boa.

Ela deitada na cama, eu sentado encostado na batente da porta da suíte. Cabisbaixo, com a voz fraca, eu disse:

– Eu não escolhi ser assim… apenas sou assim. Se eu pudesse ter escolhido uma coisa dessas, com certeza teria optado por gostar de garotas. Mas é algo que não posso mudar!

– Não interessa. Isso é contra a natureza. É uma vergonha!

A conversa findou-se.

Hoje, vejo que tenho uma distância enorme com meus pais. Embora troquemos diálogos até suaves durante o almoço e o jantar, percebo que não há intimidade alguma entre nós. Não divido com eles um décimo do que coloco aqui no blog (apesar de que minha mãe tem fuçado por aqui). E eu também não tenho o menor interesse de saber o que se passa na vida deles. Digamos que estabelecemos uma relação extremamente pragmática, no intuito de alcançarmos um grau mínimo de atritos. Instituímos um “não pergunte e nem conte”. Meu pai e minha mãe não aceitam, até hoje, o fato de eu ser gay. Eles toleram. Mas não aceitam. E há uma enorme diferença entre tolerar e aceitar.

A minha mudança para São Paulo já virou alvo de declarações afiadas por parte da minha mãe.

– Ih. Agora que você vai descambar de vez, sozinho, em São Paulo.

Ouvindo declarações como essa, cada vez mais convicto eu fico de que ela não me conhece mais. Tampouco conhece algo sobre o que é ser gay. E isso é até natural. Afinal, deixamos de partilhar nossas vidas em família desde os meus 12 anos de idade, quando eles descobriram que eu tinha atração por meninos. E ela, educada da maneira mais provinciana e bitolada possível (estudou em um internato religioso).

Estou feliz por me mudar de casa e conseguir, finalmente, minha total independência financeira. Nem consigo acreditar que não precisarei pedir um tostão para meus pais (e espero continuar assim!). Entretanto, fico triste por não poder contar com minha mãe para dividir outras felicidades minhas.

Tenho guardado o arquivo do filme que acabei de assistir. Vou deixar um atalho no desktop. E deixarei, quando for embora, um bilhete, pedindo a meus pais que assistam a esse filme.

Será a minha última tentativa.

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comments

Costumo dizer que “ganhei na Quina” nesse sentido. Minha mãe é super de boa e meu pai (que me parece homofóbico) não mora em casa há 7 anos. Já ouvi gente me dizer que eu vivo com o “modo fácil” ligado, mas acho que é pra compensar o resto da minha vida, xD

Ainda sonho sair de Carapicuíba pra morar em Sampa pro resto da minha família parar de cuidar da minha vida, =P

Boa sorte em Sampa e na ‘salvação’ dos seus pais.

Bjo e abraço, o/

Jovem Urso

20/04/2011

ainda não vi esse filme… vou baixá-lo.

quanto à conversa, infelizmente, como você disse : “dividir outras felicidades minhas.”

é isso o que mais sinto ‘falta’ com os meus relativos.

beijo

leo

20/04/2011

O filme é lindo demais. Obriguei meus amigos a assistir uma vez e foi uma experiência muito válida – caso algum deles venha a ter um filho gay no futuro.
Mas eu não faria isso se fosse você. Eles podem interpretar que você vai fazer igual ao Bobby do filme e ficarem desesperados, já imaginou? Tenta deixar mais implícito…
Abraços, japa!

Thiago

20/04/2011

É, por este lado, você está certo. Pensarei melhor.

SG

20/04/2011

As coisas aqui seguem essa linha tb… Quem sabe um dia as coisas mudem, adoraria contar dos meus amores pra minha mamys, como ela conta do amor dela! Bjo!

Jean Borges

20/04/2011

Gato, acho uma ótima ideia. Um dia eu vou fazer minha mãe assistir esse filme. Não acho que é perigoso não. É só deixar um bilhete que, de forma bem suave, mostre que você é feliz do jeito que você é.

Gui

22/04/2011

Poor man…
Power!!!
Falando sério, sua situação é lamentavel Sg. Espero que tudo se resolva e que vc possa sempre contar com seus amigos leitores!
Abração

Cassio Leal

24/04/2011