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Gay. Post por post.

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Ele se foi.

13/06/2011

Andamos demais por São Paulo. Queríamos ir ao cinema, mas as salas do Ibirapuera estavam em reforma. Resolvemos, então, ir ao Shopping Metrô Santa Cruz, o mais prático no momento.

Eu realmente não sentia algo muito claro, por ele. Jô me excitava. Gostava de sua pegada. Gostava do seu jeito de falar e de se expressar. Mas não sentia aquela coisa inexplicável que faz a gente querer alguém. E, embora ele me tratasse com extremo carinho, e, em certos momentos, com extremo desejo, sentia que ele queria algo sem maiores compromissos, sem complicações.  Não sei se por auto-proteção ou coisa do tipo. Mas isso não vem ao caso. Deixei, pois, que as coisas ficassem como estavam. Indefinidas.

Na volta pra casa, passamos no supermercado para comprarmos o refrigerante que acompanharia a pizza de mais tarde. Jô resolveu comprar, também, uma garrafa de vinho. Ao chegarmos em casa, descobrimos que teríamos sérias dificuldades para abrir a garrafa, vez que saca-rolhas eu não tinha. Abrimos o vinho com uma faca.

Tomei dois copos (também não tinha cálices), feito que quebrou vários recordes de enebriação. Fiquei bem alegrinho e relaxado. Estávamos ao computador, rindo de vídeos toscos do YouTube. Eu, sentado na poltrona, e ele ao lado, no sofá. Jô, então, levantou-se e postou-se por trás de mim, em pé, apoiando-se em meus ombros e encostando o seu queixo sobre minha cabeça. Começou a acariciar meus ombros, e depois, o meu peito. E eu acabei correspondendo ao sinal. Virei-me, girando a poltrona em sua direção, puxei-o para baixo e começamos a nos beijar.

Eu só pensava em responder aos estímulos que estava recebendo. Não pensei em mais nada. Continuei a beijá-lo, a cheirá-lo, a lambê-lo. E ele me agarrava com força. Sua barba por fazer esfoliava partes sensíveis do meu rosto e do pescoço. Sua língua serpenteava com a minha. Propus:

“Vamos tomar banho juntos?”

O restante, você tem permissão para presumir.

Foi bom. Foi legal. Foi superficial. O orgasmo veio como um efeito estritamente corpóreo. Não havia, para mim, desejo. Apenas excitação. Sei que parece confuso, isso. Mas, particularmente, enxergo o desejo e a excitação como duas coisas autônomas. Cooperativas, mas autônomas.

Passamos momentos agradáveis, juntos. Estávamos curtindo o momento, como dois homens que se gostavam, sem complicações, compromissos ou profundidade. Portávamos como dois amigos que se beijavam na boca.

No domingo, dia 12, nos despedimos normalmente. O levei até a Rodoviária do Tietê, nos abraçamos. Dei-lhe um beijo na bochecha direita. Esperei que o ônibus saísse. Acenei com o braço, pela última vez.

“Adorei o fim de semana em São Paulo contigo. Fica o convite pra você vir para Curitiba. Beijão.” – Dizia o SMS que recebi horas depois.

“Também gostei muito. Até a próxima. Beijão.” – Respondi, sem ter certeza se iria visitá-lo, ou não.

Pus o celular no criado-mudo e fui estender roupas no varal. Me deparei com uma toalha diferente das minhas. Retirei-a. Cheirei-a. E não senti nada mais do que o cheiro de um sabão em pó comum.

Eu até que desejava poder sentir alguma saudade arrebatadora. Mas não. Aquela era apenas a toalha de um bom amigo.

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comments

OI Sg td bem? eu pelo menos entendo isso o que você disse nesse post , é muito estranho sentir excitação e fazer sexo sem ter um desejo ou amar a pessoa.. mais eu axo que é assim mesmo… neh…. bjss

Lucas calistro

13/06/2011

Você disse tudo, Lucas. Tudo. Beijo!

SG

13/06/2011

Sabe, SG, no momento em que escrevo isso, estou ouvindo Jack Johnson. Estou a pensar o quanto nós, seres humanos, somos tão, alguns mais, outros menos, HUMANOS. Há algum tempo aprendi que ser uma pessoa atuante neste planeta é indiscutivelmente a melhor coisa do mundo. Já me senti assim como você. Não sabia, ao certo, como me portar com a situação, e como é engraçado, foi quase a mesma situação que você passou com o Jô. Mas, sinceramente, acho que a vida é algo para se aproveitar também. E aprendi isso, claro, com todos os limites que eu me impunho sempre num relacionamento, ou quando estou ficando com alguém. Acho que esse meu coments está mais para desabafo, que para comentário, de fato.

O que eu queria dizer é que você é tão Massa, que por entre as letras que foram carinhosamente digitadas, vejo Alguém tão puro, um coração tão ansioso por algo que a vida sempre nos proporciona: o Amor.

E admiro isso, viu?! (Reflexões advindas do post “Quero amar de novo”).
O que tenho a dizer é “muito obrigado” por compartilhar experiências tão lindas conosco. Vejo-me muitas vezes num espelho, quando leio seus posts. Tem me ajudado muito a lidar com situações expostas aqui, e que eu as presencio, de maneira semelhante.

Abraços,

Will.
Belém-Pará

Wilker

14/06/2011

Obrigado, Will. Estava meio triste. Voltei do trabalho, está um frio aqui em Sampa. E teu comentário me aqueceu. De forma suave. Por dentro.

Obrigado. Mesmo.

Um forte abraço.

SG

14/06/2011

Acho isso meio estranho… Na verdade, me sinto estranho quando fico com alguém e nada prossegue. Acho q sou muito romântico (ou bobo mesmo) e sempre acabo me envolvendo!
Creio q só recentemente tenho alcançado maturidade suficiente pra separar as coisas, apesar de, sinceramente, não querer mais pra minha vida apenas curtição! Abraços!

Jean Borges

14/06/2011

é, esse é o problema, vc esperava tanto sentir uma paixão arrebatadora, que isso impede q vc tenha curtido esse encontro da forma melhor possível, vc parece q ficou analisando o tempo todo esperando algo a mais, esperando ele dar os passos em sua direção, enquanto vc podia ter se jogado mais, sem medo, sem amarras, e PRINCIPALMENTE sem tantas espectativas.

Foxx

14/06/2011

Querido, coments destinado à correção de alguns erros:

Na linha 7, ao invés de “… é a vida…”, leia-se “… a vida…”;
Na linha 9, ao invés de “… sempre numa relacionamento…”, leia-se “… sempre num relacionamento…”.

Vlw, Lindão!
Mais uma vez, grato pelo espaço.

Adoramos Você!
Will.

Wilker

14/06/2011

Pronto. Adorei tanto o seu comentário, que corrigi os errinhos.

SG

14/06/2011

Vlw Lindão,

Sempre um gentleman Você, e dos raros…
Excelente dia e semana aí em São Paulo…

Abraço carinhoso!!!

Wilker.

Wilker

15/06/2011

Acontece. As vezes tem tudo para tocar os sininhos, e eles não tocam. Paciência…

Lobo

14/06/2011

Sim. Bendita seja a paciência.

SG

14/06/2011

Eu entendo o que voce diz, e acho saudavel esse tipo de relaçao tambem, desde que as partes estejam maduras para sustentá-la. Acho que tem momento e pessoa pra amar e estar do lado sempre, bem como tem momento e pessoa pra curtir a presença, o toque, o carinho, e seguir adiante. Nao ha nada de mal em se permitir estar com alguem sem compromissos, para suprir um prazer momentaneo, desde que isso nao seja levado a serio demais, a ponto de começar a fazer mal.
E um dia chega alguem que muda tudo, acho que é mais uma questao de saber jogar com as cartas que se tem. Desejo, necessidade do outro, todo mundo tem. O importante é jogar.
Beijo

[j]

Joe

14/06/2011

Entendo, Joe. A cada dia, vejo que tenho muito para aprender como se jogar esse jogo.

SG

14/06/2011

Vai lá em Curitiba visitar ele um dia. Pode ser que sim, pode ser que não, mas se você não tem um marido agora, pelo menos tem um amigo e MEU DEUS, como eles são valiosos!!!
Abraços, querido.

Thiago

14/06/2011

É… sem o ‘click’ não rola mesmo…

Boa sorte da próxima vez, =/

Abraços!

Jovem Urso

15/06/2011

Tbm tenho a impressão que o Foxx, que vc se preocupou muito em analisar e talvez isso tenha atrapalhado o sentir. Mas e se vc estivesse sentindo sininhos, uma saudade arrebatadora com a qual vc nada pode fazer além de planejar e sofrer?

Tive uma fase assim, recentemente. Não é fácil. Mas é superável. E vale a pena… citando Pessoa… sempre vale, né? Pois tenho certeza que sua alma não é pequena 😉

Mas que bom que vc ficou bem e que as consequencias não foram ruins. Algumas análises, algumas dúvidas… e, se tiver que reencontra-lo, que o faça. Se não, como bem disse o Joe, o importante é jogar.

Xêrooo!

in.Constante

16/06/2011