/SOUGAY

/SOUGAY

Gay. Post por post.

You can scroll the shelf using and keys

Encafezado.

25/06/2011

Nunca fui habitual consumidor de café. Mas sempre vi graça e beleza, naquele líquido negro de gosto amargo. O aroma me encanta, dos grãos torrados moídos na hora, que eu cheirava quando ia à feira. Rolava sim, um certo tipo de tabu. Quando criança, minha mãe, adoradora da bebida, sempre me dizia que tomar café durante a infância fazia mal para o cérebro. Acho que era só um pretexto para que sobrasse mais desse alimento, na garrafa térmica.

Mas daí, mudei-me para São Paulo. Comecei a trabalhar. A sentir cansaço no meio do expediente. E comecei a beber café frequentemente. Não passo mais um dia sequer, sem tomar, ao menos, uma xícara. Café revigora. Abre o apetite. Intensifica os sentidos. Com bastante açúcar, torna-se gostoso. E, nos intervalos, é pretexto para conversas de bastidor.

Café traz boas lembranças. Me faz lembrar da casa da minha avó, no interior de São Paulo. Da garrafa térmica de tampa azul e interior inteiramente espelhado. Das xícaras de vidro âmbar. Do pote de açúcar que, às vezes, continha formiguinhas. E das torradas de pão francês, acompanhadas de margarina Doriana.

Café também me lembra cortesia. Seja da Dona Erotildes, esposa do caseiro do sítio de meu pai, que nos servia um café coado delicioso, numa caneca amassadinha de metal esmaltado. Seja da Tia de Iguatemi, quando a visitávamos em sua chácara. Seja da vizinha do meu avô. Ou mesmo da Dona Florinda, quando convidava o Professor Girafales a adentrar em sua casa.

“Professor Girafales…”

“Dona Florinda…”

“Que milagre, o senhor por aqui…”

“Vim lhe trazer este humilde presente…”

Sinto também que apreciar essa bebida é uma forma de manifestar gratidão a um grão que construiu riquezas, tanto para a minha cidade de origem, quanto para a minha família. Tudo o que meu avô conquistou, aqui no Brasil, depois de chegar do Japão em 1932, se deve à cafeicultura. Desde a primeira fazenda paulista em que trabalhou, até em seu sítio próprio, no interior do Paraná, o café trouxe riquezas suficientes para o progresso da família.

Escrevo este post porque acabei de tomar um espresso. Estava a pensar sobre o que poderia escrever. Olhei para a mesa. Um rastro marrom escorria da borda da xícara. E veio a ideia.

Café encanta. Enriquece. Reúne. Revigora. Esquenta.

Café é tudo de bom. Bora tomar um? É por minha conta.

Advertisements

Nem pense em sair daqui, sem comentar!

Please keep your comments polite and on-topic.

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

comments

SG o seu texto conteve todos os prazeres de se tomar uma boa xícara de café.
A cada paragráfo, um delicioso gole, que acalenta!

beijos e bom findi!

leo

25/06/2011

Bem que tentei publicar o cheirinho de café moído na hora, mas o WordPress ainda não disponibilizou essa ferramenta.

SG

25/06/2011

não bebo café, me sinto um ET no mundo por causa disso…

Lenin Foxx

25/06/2011

Imagine.

Você é apenas descafeinado.

SG

25/06/2011

Sempre fui partidário da opinião de que, mesmo quem nunca gostou de café, pode comecar a tomá-lo no trabalho… um vício corporativo…

Mas eu adoro. Puro. Com leite. Expresso. Com creme. Irish. Cappuccino… café sempre vai bem… me acompanha até nas sopas =P

Xêro!

in.Constante

25/06/2011