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Há Exatos 2 Anos: Depois da calmaria, vem a tempestade.

28/08/2012 , , , ,

“Ou me quer e vem, ou não me quer e não vem. Mas que me diga logo pra que eu possa desocupar o coração. Avisei que não dou mais nenhum sinal de vida. E não darei. Não é mais possível. Não vou me alimentar de ilusões. Prefiro reconhecer com o máximo de tranqüilidade possível que estou só do que ficar a mercê de visitas …adiadas, encontros transferidos…”

Caio Fernando Abreu

(Li essa citação no Voluntas, do talentoso blogueiro Arthur. Vi que se encaixava muito bem ao que tenho vivenciado nos últimos tempos.)

Depois de momentos turbulentos, muito custosamente, alcancei a calmaria. Consegui pensar sobre a minha vida e, assim, acalmar o meu espírito. Enfraqueci os contornos dos maus momentos, e realcei o contraste dos bons. Pus meus afazeres em dia. Preenchi corretamente o meu tempo vago.

Entretanto, ontem, nuvens escuras escureceram a sala. Liguei o computador. Abri o e-mail. E lá estava. Uma mensagem do meu ex. Já falei sobre isso, no post anterior. O negócio foi tão sério, que merece mais um.

Uma possibilidade de recomeçar o namoro surgiu. E minha tranquilidade solitária se desfez. Estava me dando bem com a solidão, com a falta de amassos e de sexo. Posterguei minhas incursões às baladas, às ficadas e aos encontros. Como já disse no post anterior, o que eu mais queria era sossego. Mas aí, a bendita mensagem eletrônica apareceu na minha caixa de entrada.

A primeira coisa que eu pensei foi: “eu quero”. Não consegui tirar o rapaz da minha cabeça. Simplesmente – e sorrateiramente – penso nele, todos os dias. Seja quando lembro um momento gostoso, seja quando recordo das razões da separação. Quando ouço uma música. Quando vejo um sujeito alto, forte e de cabelos negros curtos, malhando na academia. Quando sinto o cheiro de Clear Men. Quando uso meias comuns dobradas na frente, para se parecerem com meias invisíveis. Tudo. Absolutamente tudo, me traz aqueles olhos castanhos lindos e aquela boca deliciosa, para perto de mim.

Parei. Fechei os olhos. Respirei. A segunda coisa que pensei foi: “por que eu quero?” Por escolha, resolvi dar um tempo em aventuras afetivas. Tive (e tenho) medo de quebrar a cara novamente. Apenas protegi a minha face, com um grande capacete, que me impediu – e impede – de sair de casa sábado à noite. E isso tem me afetado. Ao mesmo tempo que optei por estar sozinho, a vontade de estar com alguém sempre persistiu. E considerar a possibilidade de voltar com alguém que ainda gosto me pareceu muito tentador. Mas igualmente perigoso para a cara. Um cabo-de-guerra ferrenho está rolando aqui dentro, horas pendendo para o “sim”, horas pendendo para o “não”. Será que estou cedendo à perigosa tentação de acabar o sofrimento com uma solução fácil?

A terceira coisa que pensei foi: “por que ele quer?” Será que está tão desesperado em ficar com alguém, que só lhe havia restado o ex-namorado para recorrer? Será que ele reviu as suas atitudes? Será que ele mudou? Será que ele ainda me ama? De verdade? O que aconteceu nesses três meses, que o fez mudar de ideia?

Então, a última coisa em que pensei, foi: “por que não?” Afinal, todo mundo conhece aquela história de que “todos merecem uma segunda chance”, inclusive eu. O máximo que pode acontecer é a mesma decepção anterior, isto é, sinal de que ele não mudou um tiquinho sequer. E nem eu. Todavia, nessa segunda chance, haverá a oportunidade de tudo ser reparado e refeito. E, convenhamos, quantas vezes nos pegamos numa situação em que dizemos: “se eu tivesse a chance de voltar atrás e fazer de novo…”

Resolvi me permitir a vivenciar uma “nova” possibilidade. Estou seguro de que, desta vez, as coisas possam dar mais certo. Claro que não entrarei na guerra sem dispositivos de proteção e escape. Vou primeiro conversar bastante com meu “ex-possível-não-ex”, saber o que aconteceu nesses últimos meses, o que tem pensado, o que tem feito. Vou querer saber a resposta do terceiro pensamento. Quero também ver se ele mudou. Posso parecer ingênuo e muito esperançoso de que tudo estará bem e perfeito. Mas, pelo contrário, estou muito lúcido quanto às prováveis decepções que aparecerem.

Liguei para ele.

É apenas uma segunda chance. A última. Sei que corro um grande risco com essa decisão. Sei que posso ficar a deriva, nessa tempestade. Mas faço isso porque eu sei que, mesmo com dificuldade, conseguirei, novamente, alcançar a calmaria.

De fato, amor é um vício irreparável.

Texto originalmente publicado em 28 de Agosto de 2010.

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