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Gay. Post por post.

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Macarronada.

30/09/2013 6 Comments

Presidente do Grupo Barilla diz que não usaria casal gay em anúncio. É a manchete desta notícia aqui.

Percebi nas redes sociais que, mesmo entre os gays, opiniões se dividiram sobre o tema, uns criticando duramente a atitude do executivo italiano, e outros criticando o boicote à marca de massas, sob o argumento de que os movimentos LGBT sempre são muito radicais, e que o pronunciamento do Sr. Guido Barilla não deveria ser tão vilipendiado.

Bom, aqui, vai minha visão sobre tudo isso.

O presidente da companhia tem sim todo o direito de fazer seus comerciais do jeito que quiser, sempre alinhado com o que for mais vantajoso aos seus negócios, e não é isso que está sendo criticado.

O alvo de críticas foi o discurso preconceituoso e estúpido que ele deu à uma emissora de rádio na Itália, ao misturar sua opinião pessoal com os valores da empresa. Foi o típico discurso do “Eu não tenho nada contra os gays, mas não os quero por perto”.

A propósito, ele mesmo deixou bem claro que, se os gays não gostassem do não uso de famílias homoafetivas em seus comerciais, que fossem procurar outra marca.

Eu, particularmente, não gostei disso e não compro Barilla. Até porque eu nem comprava antes mesmo, pois não sou um expert na cozinha e não vejo razão em gastar mais que o dobro num macarrão, se o molho que uso é sempre um básico e barato Pomarola da vida.

Filosofias culinárias à parte, achei uma atitude idiota, essa do Sr. Guido Barilla. Tentou se desculpar, depois, obviamente, percebendo a cagada que cometeu, ofendendo boa parte não só do seu público consumidor, como também seus funcionários e, quem sabe, acionistas a quem deve se reportar.

Eis as palavras de arrependimento:

“Com referência à minha declaração feita ontem na La Zanzara, peço desculpas se minhas palavras têm gerado controvérsia ou mal-entendido, e se elas têm ofendido a sensibilidade de algumas pessoas. Para maior clareza, gostaria de salientar que tenho o mais profundo respeito por todas as pessoas, sem distição alguma. Eu tenho o maior respeito por homossexuais e pela liberdade de expressão de qualquer um. Eu também disse e repito que respeito o casamento das pessoas de mesmo sexo. Barilla em suas propagandas têm sempre escolhido representar a família porque este é o símbolo da hospitalidade e carinho para todos. Guido Barilla.”

É a prova de que deve-se pensar duas vezes, antes de falar. Barilla deveria ter olhado para seus próprios princípios, e percebido que há uma diversidade imensa de macarrões, mas, no fundo, todos são feitos da mesma coisa.

Sem TV e sem computador.

18/08/2013 2 Comments

Agosto começou muito bem.

Só que ao contrário.

Minha televisão está com problema, meu computador de mesa pifou e o notebook que vendi para um colega de trabalho deu defeito.

Sem contar outros tantos problemas que surgem do nada, no meu dia-a-dia.

Os únicos meios de contato com o mundo são o meu telefone fixo, com o qual só mantenho conversas lacônicas com vendedoras, e o meu celular, com o qual, inclusive, estou postando este texto aqui.

Vou comprar um saco de sal grosso.

Há Exatos 2 Anos: Mundo pequeno.

08/12/2012 7 Comments

Ontem, durante o almoço, estava a comentar com meu pai sobre o jantar de confraternização que eu e meus amigos estamos querendo promover, para comemorarmos a formatura, junto com familiares e outros amigos.

– E, depois do jantar, estamos querendo ir à uma baladinha, eu, a Ciclana, o Beltrano, a Fulana e a Beltrana.

– Hummm… você não tá pensando em ir naquela casa noturna ali da São Paulo, né? (Ele se referia à Jambos, uma boate gay) Porque ontem, enquanto a gente esperava pelo jogo (de futebol) lá no clube, estava conversando com um cara que é dono de uma empresa de segurança, que presta serviços para essa boate. Ele disse que lá só tem promiscuidade… é uma sem-vergonhice do caramba! É homem se esfregando em outro, e outras coisas que não quero nem comentar…

– Não, pai, não queremos ir até lá. Estamos pensando em ir no Porto Café, que fica perto do Avenida…

– Você nunca foi naquela boate, né?

– Ah, pai, já fui, sim… umas três ou quatro vezes. Mas já faz tempo, hein?

[silêncio]

– Bom, ainda bem que você não vai ao clube com muita frequência… vai que esse meu colega de futebol te reconhece nessa tal boate aí… esse mundo é pequeno! Olhe lá o que você me apronta…

– Sim, pai. É pequeno, mesmo…

Essa é uma das coisas ruins de se morar numa cidade de 350 mil habitantes. Todo mundo acaba conhecendo todo mundo. E sabendo de todo mundo.

Texto originalmente publicado em 8 de Dezembro de 2010.

Há Exatos 2 Anos: A bolha estourou.

19/11/2012 15 Comments

Passei meus últimos 22 anos encarcerado.

“Putz… o cara já é grandão e fica aí chorando que  nem um adolescente…” – você poderia pensar.

E com razão.

Eu realmente tenho essa noção de que estou aumentando demais as proporções das coisas, principalmente daquelas que digam respeito a afetos. No entanto, tudo isso é uma reação involuntária minha. Porque, de fato, no campo amoroso, sou tão maduro quanto um adolescente de 15 anos.

Quando tinha 15 anos, nem passava pela cabeça a ideia de ficar ou namorar. Seja com um garoto, muito menos com uma menina. Sabia que não gostava do sexo oposto. E era muito tímido e inseguro, para tentar qualquer coisa com garotos. Nessa idade, era um típico “nerd” no colégio. Alto, magrelo, sempre com a cara enfiada nos livros. No recreio (que saudade dessa palavra), ficava na biblioteca, lendo alguma coisa ou entravando uma discussão política  com meus amigos nerds. E fugia das aulas de educação física. Fugia também das festas e das baladinhas.

Ficava numa bolha.

Aos 16 anos, eu dei meu primeiro passo para melhorar minha “nerdice”. Me matriculei numa academia. Comecei a malhar.  Aos poucos, fui melhorando meu visual, fui ganhando músculos… comecei a melhorar o recheio da camiseta. Mas outra coisa me incomodava tremendamente: espinhas. E continuava dentro da bolha.

Um tormento acabar com elas. Já tentei de tudo: Acnase, Pure Zone, limpeza de pele (como doía!)… até que comecei a tomar Roacutan. Muito trabalhoso esse tratamento, que durou 8 meses. Mas o resultado foi satisfatório. Acnes, nunca mais. Mas a bolha… ainda existia.

Com a cara limpa e um corpo mais ou menos sarado, minha autoestima melhorou bastante. Ainda estou nesse processo de imagem pessoal, mas as coisas estão indo razoavelmente bem. Então, no início deste ano, decidi, de vez, estourar a bolha.

Fui à uma balada gay.

E aí, neste ano, 2010, foi como se tivesse 15 anos de novo. Um adolescente tendo o seu primeiro contato com a pegação. Finalmente deixando a infância inocente para trás. Tudo tem sido novo pra mim, principalmente a dor de cotovelo. Pra você ter uma ideia da minha falta de experiência, eu era BV até o início deste ano.

[pausa dramática]

Você tem ideia do que isso significa? Gente… acho que, na verdade, tenho 12 anos, ao invés de 22.

E aí, em menos de 1 ano, eu deixo de ser BV e também V. Saio do armário. Namoro. Termino. Fico. Reato. “Retermino”. É muita informação para ser processada, em tão pouco tempo, durante um ano atribulado e tenso que tem sido 2010.

Ainda bem que tenho este blog e pessoas ao meu lado. Assim, eu fico menos desesperado, nessa tremenda confusão em que minha vida se tornou, sabendo que não estou sozinho neste mundo redondo (música melancólica ao fundo).

Texto originalmente publicado em 19 de Novembro de 2010.

Há Exatos 2 Anos: Valores.

07/10/2012 2 Comments

Gostei de São Paulo.

Mas me senti um alienígena nesse caos.

Estou desesperado em voltar pra minha cidadezinha de 340 mil habitantes, quatro shoppings, um voo a cada duas horas e distâncias caminháveis.

Texto originalmente publicado em 7 de Outubro de 2010.